OS REIS MALDITOS: A LEI DOS VAROES
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OBJETO
DE DESEJO
França, 1316. Após o enterro do impopular Luís X, supostamente morto por envenenamento, o país embarca em um conflituoso processo de sucessão: pela primeira vez um rei francês morre sem deixar um herdeiro homem. Conforme regem as normas, o trono deve ser preenchido pela filha do casamento de Luís X com Margarida de Bolonha - uma menina de cinco anos acusada de ser fruto de uma relação extraconjugal - ou pela criança que ainda ocupa o ventre de sua segunda mulher, Clemência de Hungria. No entanto, uma violenta sede pelo poder fará com que essa tradição seja rompida. Eis a emocionante trama de A lei dos varões, o quarto volume da brilhante série Os reis malditos, de Maurice Druon.
A partir dessa situação, três parentes do rei morto surgem para reivindicar a posição de regente: seu irmão, o duque de Poitiers, seu primo, o duque de Borgonha, e seu tio, o conde de Valois. Apoiado pelo recém-empossado papa, o incrédulo e ambicioso João XXII, Felipe de Poitiers lança mão de uma polêmica "lei dos varões" para justificar o seu direito à coroa. Tal lei atesta que apenas os descendentes reais do sexo masculino - os chamados varões - seriam capazes de assumir o poder. Porém, quando está certo de que sua trilha rumo ao trono se encontra completamente livre, Poitiers testemunha o nascimento de um novo obstáculo: a criança que Clemência de Hungria dá à luz é um varão - o incontestável herdeiro do trono francês.
O livro dá prosseguimento à bem-sucedida saga de Os reis malditos e ilumina a famosa afirmação dos irmãos Goncourt: "A História é um romance que aconteceu." Ao ser publicada pela primeira vez, na década de 50, a série provocou uma corrida às livrarias e, posteriormente, passou a ser identificada como um dos principais modelos contemporâneos para o que é chamado de "romance histórico". Com extremo respeito à História (reproduzindo fatos, costumes, trajes e paisagens com precisão), Druon transmite ao leitor uma forte sensação de aprendizado sobre o passado da sociedade européia.
Os personagens que habitam A lei dos varões são psicologicamente complexos e extremamente convincentes, provocando uma outrora impensável identificação do público com figuras que viveram há cerca de sete séculos. Segundo o próprio autor, a série mostra que "as sociedades se transformam, mas a natureza humana não se modifica. As lutas para alcançar o poder tomaram outras formas, mas são sempre as mesmas. Reencontramos em todos os tempos - nos negócios da política, heróis, fracos, sábios, traidores, pessoas hábeis e inábeis - gente generosa e egoísta. É uma lição de permanência".
Guiando com destreza uma trama repleta de ódio e traição, Druon cria uma excelente obra literária que se prende ao rigor dos fatos ao mesmo tempo em que acrescenta à realidade necessárias pitadas de fantasia. Os reis malditos foi traduzido para mais de 30 línguas e teve tiragens milionárias em diversos países. Nos anos 70, foi adaptado como minissérie pela TV francesa e se transformou em um sucesso mundial de audiência.
A série, que teve início em O rei de ferro (Volume 1), A rainha estrangulada (Volume 2) e Os venenos da coroa (Volume 3), continua com A loba de França (Volume 5), A flor-de-lis e o leão (Volume 6) e Quando um rei perde a França (Volume 7).
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