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OBJETO
DE DESEJO
É incontestável: Bruna Beber tornou-se uma das principais referências da novíssima geração ao lançar, em 2006, A fila sem fim dos demônios descontentes, seu livro de estreia. Agora, em 2009, a editora Língua Geral publica Balés, que responde, sem qualquer dúvida, à expectativa criada em torno de sua obra.
Neste livro, a poesia revela uma “dicção” sentimental. Por meio dela Bruna parece criar um diálogo ao mesmo tempo abusado e respeitoso com a música popular brasileira. Alguns de seus versos podem remeter os leitores, por exemplo, a violentas canções de Lupicínio Rodrigues. Contudo, o grande valor da “dicção” sentimental da poética de Bruna Beber vem da sua capacidade de reduzi-la ao mínimo gesto, à economia de palavras, ao ritmo às vezes sincopado e ao verso preponderantemente breve, de corte brusco. A sentimentalidade então é desconstruída e torna-se, dessa maneira, um campo engenhoso de experimentações formais.
Por essas e outras razões, trata-se de um livro corajoso e ousado, que compreende, com maturidade, que a poesia pode conter uma estrutura complexa e extensa, a reunir pólos antagônicos. Conciliando-os por meio do rigor que toda poesia exige, encontram-se diversos aspectos díspares em Balés: o clássico e o popular, o tradicional e o renovador, o tom contido e o exagerado, entre muitos outros. Daí a possibilidade de a sua obra também remeter os leitores à poesia de Manuel Bandeira e de Mário de Andrade.
Neste segundo livro de Bruna Beber, Balés, temos a confirmação da qualidade dessa poeta, que consegue trazer novos elementos a seus versos, mas sem abrir mão dos que já havia conquistado com muita habilidade e vigor.
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