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OBJETO
DE DESEJO
Em seu primeiro livro, Tinta, Ramon Ramos trazia poemas dotados de grande expressividade narrativa. Dessa vez, no Caroço, traz-nos contos de extremo lirismo, embora com sopapos de realidade, como a mãe que vive de olho roxo, no conto “Óculos escuros”. Ramon Ramos é como o menino que arrebenta com a cara da amiga, a ficção, para deixá-la mais parecida com a mãe, realidade.
Com diálogos bem construídos à volta da fala cotidiana, Caroço recupera enredos da mesma matriz de Herman Melville, estrelando um mendigo que se instala no apartamento de um narrador benfeitor de classe média.
O insólito comparece entremeado à prosa como um “caroço” que atrapalha a verossimilhança. Não fosse ele, ficava tudo macio, felicidade. Mas é justamente por causa dele que brota alguma coisa. O que brota é poesia e infância. Poemas funcionam como abertura entre as partes do livro, marcando mais uma vez a porosidade entre os gêneros na obra de Ramos. A infância, por sua vez, inaugura o caminho de uma voz narrativa que passeia entre muitos dos contos.
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