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OBJETO
DE DESEJO
Dezembros Selvagens é a apresentação de Edna O´Brien como romancista ao público leitor brasileiro. "Ler a palavra da autora, cuja carreira sólida iniciada na Irlanda domina o panorama literário internacional, é ler o mundo pelos sentidos, pelas emoções, pela compreensão das dimensões humanas dos personagens, do Outro, de nós."
A chegada de um trator e de seu enigmático proprietário precipitam uma cadeia de eventos em uma comunidade irlandesa isolada. Joseph Brennan, que dominava a montanha, vê em Michael Bugler, o exilado que regressa, uma ameaça. Para Breege, a irmã de Joseph, Bugler é um estranho irresistível a cujo magnetismo ela não deve sucumbir por medo de trair seu irmão.
"Uma história de amor e ódio, Dezembros Selvagens explora a profundeza e a escuridão que estão na base de toda posse. Com um conjunto engraçado e rico de personagens, a trama original se passa na mesma região dos demais romances de Edna O´Brien. É um trabalho complexo e corajoso, marcado no tempo e no espaço, mas repleto da permanência do mito."
Segundo Cyana Leahy, PhD em Educação Literária pela Universidade de Londres, os leitores de O´Brien percebem o notável domínio da autora nas variações da língua inglesa, sem se ater a um registro narrativo único. Dentro de um mesmo texto, para cada situação, familiar ou formal, ela emprega diferentes planos lingüísticos, incluindo variações temporais e do ponto-de-vista da narrativa.
"Sem aviso prévio, mas respeitando a competência de leitura de seu leitor, a autora faz desvios, desconstrói regras de pontuação, altera o rumo e o ritmo da história, prendendo nossa atenção e permitindo que os sentidos se agucem a cada página, sentindo o aroma da turfa que queima nas lareiras do interior da Irlanda; e acompanhando os meandros e subterrâneos das emoções e pensamentos dos personagens, nunca maniqueístas ou estéreis, mas humanamente capazes de matizes inesperados que surpreendem, emocionam, proporcionam um mergulho em nossos próprios enigmas. A irregularidade intencional da pontuação e dos tempos verbais registra, reforça e refaz os trajetos para dentro e para fora das questões existenciais mais dramáticas, porque cotidianas, comuns, ordinárias."
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