Sumário
Apresentação
IVANA JINKINGS e FLÁVIO AGUIAR
ENTREVISTA
Leonardo Boff
EMIR SADER e MICHAEL LÖWY
DOSSIÊ: NOVA ERA DE PRECARIZAÇÃO ESTRUTURAL DO TRABALHO?
O walmartismo no trabalho no início do século XXI
PIETRO BASSO
Trabalhadores precários: o exemplo emblemático de Portugal
GIOVANNI ALVES e DORA FONSECA
A metamorfose da precarização social do trabalho no Brasil
GRAÇA DRUCK
A corrosão do trabalho e a precarização estrutural
RICARDO ANTUNES
ARTIGOS
História, produção e método na ?Introdução? de 1857
MARCELLO MUSTO
A exumação de Louis Althusser
ROBERVAL DE JESUS LEONE DOS SANTOS
Rememoração revolucionária
FABIO MASCARO QUERIDO
Capital, o Big Brother
JOÃO LEONARDO MEDEIROS e RÔMULO ANDRÉ LIMA
HOMENAGEM
O Ben Bella revolucionário que conheci
GUILLERMO ALMEYRA
RESENHA
Literatura e política
CARLOS EDUARDO J. MACHADO
NOTAS DE LEITURA
O debate sobre Deus: razão, fé e revolução
MOZART SILVANO PEREIRA
Vivendo no fim dos tempos.
KIM DORIA
Globalização, dependência e neoliberalismo na América Latina
MATHIAS SEIBEL LUCE
POESIA
Um pinheiro
HEINRICH HEINE
No dia 10 de maio de 1933, há 79 anos, na praça hoje chamada Bebelplatz (em homenagem a Auguste Bebel), em Berlim, teve lugar uma das mais sinistras cerimônias do regime nazista: a queima de 25 mil livros considerados decadentes, subversivos etc., perante 40 mil pessoas, na maioria jovens estudantes. O próprio diretor da Faculdade de Direito, localizada em frente, inaugurou a pira fúnebre, trazendo uma braçada de livros da biblioteca. Do outro lado da rua, a fachada da Universidade Humboldt era testemunha muda desse holocausto intelectual. Entre os livros queimados estavam os do poeta alemão Heinrich Heine (1797-1856).
Heine tinha tudo para estar na pira. Vinha de uma família judaica, embora de espírito laico. Desde os tempos de universidade, cursada em Bonn e Berlim, revelara-se independente, irreverente, sarcástico, irônico, satirizando os poderes alemães.
Teve seus livros censurados várias vezes na futura Alemanha, que nessa época ainda não existia como nação unificada. Cansado de tudo isso, mudou-se em 1831 para Paris, onde viveria até o fim da sua vida. Foi amigo e admirador de Marx, assim como admirado por ele, embora suas ideias não se alinhassem em tudo. Marx defendia o comunismo, enquanto Heine preferia uma revolução através da educação. Foram, porém, dois grandes espíritos que se cruzaram de modo criativo.
Heine foi poeta, dramaturgo, ensaísta, polemista, jornalista, crítico literário e cultural, em suma, um dos grandes homens que marcaram a cultura germânica do século XIX e posteriores. Publicou inúmeros livros e de uma de suas peças veio a frase que hoje está gravada em bronze na Bebelplatz: ?Das War ein Vorspiel nur: dort wo man Büchern verbrannt, verbrennt auch man am ende Menschen? [Isso foi só um prelúdio: onde se queimam livros termina-se por queimar seres humanos]. Em suma, perante o regime nazista, seus livros mereciam estar na pira. Sabe-se hoje que o nosso poeta Gonçalves Dias inspirou-se em versos de Goethe para compor a ?Canção do exílio?. Terá ele conhecido ?Um pinheiro?, de Heine? É esse o poema desta edição, selecionado e traduzido por Flávio Aguiar.
O artista plástico da vez é Iran do Espírito Santo, paulista de Mococa, pintor, escultor, desenhista e gravador. Suas obras, escolhidas pelo também artista plástico Sergio Romagnolo, são inspiradas no cotidiano e trabalham com a ilusão, pois nunca são feitas do material ou da forma como imaginamos. O copo aparentemente cheio d?água é composto de cristal maciço a pilha de tijolos foi esculpida em pedra a caixa de sapatos, produzida em mármore, a ?lata? é uma peça maciça de aço inoxidável, feita em torno.
Segundo Sergio Romagnolo, ?o que Iran desvenda é a possibilidade de ver arte onde menos se espera ? como se vislumbrasse um mundo contido nas caixas de papelão, latas e tijolos ? e de mostrar o mais alto esmero técnico industrial e artesanal em objetos que normalmente são feitos de forma precária, com a menor quantidade de material e ao menor custo?. O trabalho da capa ? uma torre de tijolos esculpida em três partes, em pedra, como ruínas de uma civilização antiga ? é um projeto de escultura pública, a ser instalada no Central Park, em Nova York, no final de 2013.
A entrevista é do teólogo da libertação e escritor Leonardo Boff, que falou sobre sua trajetória, formação e obra aos sociólogos Emir Sader e Michael Löwy. O ?Dossiê?, organizado por Ricardo Antunes, apresenta cenas da condição de precariedade da classe trabalhadora em escala global, com textos de Pietro Basso, Giovanni Alves e Dora Fonseca, Graça Druck e do próprio Ricardo. Na seção ?Artigos?, Marcello Musto discorre sobre a ?Introdução? de 1857, a mais importante e célebre seção dos Grundrisse, de Karl Marx. Fabio Querido estabelece afinidades entre as reflexões teóricas e políticas de Rosa Luxemburgo (1871-1919) e Walter Benjamin (1892-1940): à luz dos desafios do presente, a defesa q