Um dos expoentes da literatura italiana, Alessandro Baricco nos apresenta uma história que é uma verdadeira bandeira cultural da Itália — país de filmes, músicas e literatura inesquecíveis. Mundos de vidro reúne um ótimo enredo com poesia, amor, desencontros, frustração e esperança.
A história se passa numa fábrica de vidros situada no campanário de Quinnipak. O autor descreve liricamente os encontros fortuitos entre o Sr. Rail, dono da vidraria e maior entusiasta da chegada da estrada de ferro local, com a amada Jun, a mais bela e desejada mulher do vilarejo. A delicadeza é a tônica dessa relação: toda vez que está para voltar ao vilarejo, o andarilho Rail envia uma jóia para Jun como prenúncio de novo encontro.
Vivem em Quinnipak, também, o músico Pekisch, o menino-encantado Mormy, e a viúva Abegg. Todos os acontecimentos são relacionados à Elizabeth — uma locomotiva trazida por Sr. Rail, e que nunca foi para os trilhos. Os personagens vivem e morrem à espera da estrada de ferro. "Toda aquela gente a subir e a descer, cada um a coser sua própria história, com a agulha da própria vida, trabalho maldito e belo, tarefa infinita", descreve o autor.
Mais do que qualquer trama, no entanto, o que se destaca na obra deste maestro é o ritmo de suas frases e a melodia de suas páginas. "Todas as histórias têm sua própria música", diz Baricco. O elogio à leitura é constante: "Ler não é outra coisa do que fixar um ponto para não sermos seduzidos, e destruídos, pelo incontrolável passar do mundo... Quem pode compreender algo da doçura, do prazer, se jamais debruçou a própria vida, inteirinha, sobre a primeira linha da primeira página do livro?"