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TÍTULO: O AMERICANO TRANQUILO TÍTULO ORIGINAL: QUIET AMERICAN, THE ISBN: 9788525043009 IDIOMA: Português ENCADERNAÇÃO: Brochura FORMATO: 13,7 x 20,8 PÁGINAS: 256 ANO DA OBRA/COPYRIGHT: 2007 OUTRAS INFORMAÇÕES: PREFACIO DE MANUEL DA COSTA PINTO ANO DE EDIÇÃO: 2007 EDIÇÃO: 1ª
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Poucos escritores conseguem a proeza de se tornar populares fazendo literatura de altíssima qualidade. Um caso raro é o inglês Graham Greene, autor de livros já clássicos na prosa do século XX, como O poder e a glória, O cerne da questão e este O americano tranqüilo. O motivo é simples: Greene lança mão de tramas detetivescas e intrigas de espionagem internacional, mas injeta nesse gênero associado à literatura de entretenimento – o romance policial – uma dimensão profunda, que expõe questões sobre inocência e culpa, pecado e expiação, desejo e renúncia.
A dimensão espiritual ou metafísica de sua literatura foi muitas vezes atribuída ao fato de o escritor ter se convertido ao catolicismo em 1926. Greene, entretanto, sempre rejeitou o epíteto de “romancista católico”, empregado pela crítica como se ele fosse um religioso buscando temas literários adequados a sua crença. Ao contrário, o autor de Os farsantes e O condenado (ambos publicados pela Editora Globo) foi um escritor no sentido forte do termo, que procurou estar em contato com as paixões humanas naquelas situações extremas nas quais o crime e a santidade se aproximam.
No caso de O americano tranqüilo, torna-se clara a confluência, característica de sua obra, entre enredo detetivesco, pano de fundo marcado pela conjuntura política e personagens que, envolvidas em dramas de consciência moral, são assombrados pelo fantasma do crime, essa forma radical de exorcizar os desejos.
A ação do livro é ambientada durante a Guerra da Indochina (1946-1954), na qual se enfrentaram a França (que tentava reconquistar um controle sobre o país asiático perdido durante a Segunda Guerra Mundial) e os guerrilheiros comunistas de Ho Chi Minh. O conflito é seguido de perto pelos correspondentes de guerra, dentre os quais Thomas Fowler, veterano jornalista inglês que divide o tempo ocioso entre as casas de ópio de Saigon e a amante vietnamita Phuong. Quando Fowler conhece o jovem norte-americano Alden Pyle, estabelece-se entre eles uma empatia que logo se transformará também em rivalidade sexual, precipitando os acontecimentos que dão andamento à trama: encantado, Pyle propõe casamento a Phuong, algo que Fowler só conseguirá evitar se obtiver o divórcio da mulher (que está em Londres); do contrário, será obrigado a respeitar os costumes locais e aceitar que a irmã mais velha de Phuong a entregue às promessas de segurança representadas pelo norte-americano.
Esse triângulo amoroso, porém, só será esclarecido aos poucos, a partir do evento que deflagra a narrativa: quando o romance tem início, Fowler é convocado pelo chefe de polícia francês Vigot para reconhecer o cadáver de Pyle – vítima de um assassinato que poderia ter motivações políticas (por conta dos envolvimentos ideológicos de Pyle), mas também poderia ser um crime passional.
A partir daí, Greene compõe diferentes planos narrativos em que contemplamos simultaneamente os horrores da guerra (com cenas que remetem ao filme Apocalypse now, de Coppola), o xadrez das forças em combate na Indochina (franceses, guerrilheiros do Viet Minh, exércitos de seitas religiosas como hoa-haos, caodaístas etc.) e o confronto não menos importante entre as visões de mundo de Fowler e Pyle (que viajam juntos pelas zonas conflagradas).
O triângulo amoroso do livro poder ser visto como metáfora da situação geopolítica: Fowler encarnaria os velhos colonizadores europeus que estariam dando lugar aos norte-americanos representados por Pyle, ao passo que Phuong seria a imagem dos países terceiro-mundistas, cujo destino estaria à mercê das potências imperialistas. Essa leitura é reforçada pelo fato de Pyle aderir às tropas do general Thé, um dissidente caodaísta que propunha uma “terceira via” para o conflito e que, depois da derrota da França (1954) e da divisão do Vietnã em dois, acabaria de fato tendo papel de aliado dos Estados Unidos, conduzindo Ngo Dinh Diem ao poder em Saigon (capital sulista) e precipitando a Guerra do Vietnã (1959-1973) entre as forças norte-americanas e os vietcongs apoiados por Hanói (capital do Vietnã do Norte).
Mas o livro não se reduz à ilustração de uma situação geopolítica ou a um episódio de disputa amorosa: o suspense sobre a culpa pelo assassinato serve para que, a cada um dos fascinantes diálogos entre e Pyle e Fowler, vá se desenhando um conflito entre o idealismo ingênuo do norte-americano (aliciado pelas doutrinas de exportação da democracia para o resto do mundo e pela tentação etnocentrista de “salvar” Phuong) e o ceticismo de Fowler (que aprende com sua fragilidade emocional a desconfiar do feitiço das ideologias, das utopias em nome das quais se cometem assassinatos ou simplesmente dos “conceitos mentais” pelos quais impomos aos outros nossos próprios valores).
Em O americano tranqüilo, enfim, temos formas de conceber a realidade que derivam do modo como as relações afetivas e as posturas ideológicas se modificam reciprocamente, com uma complexidade que só os grandes romancistas podem representar – mesmo que essa complexidade esteja disfarçada, como em Greene, pelo enredo envolvente de uma intriga policial.
O autor: HENRY GRAHAM GREENE nasceu em Berkhamsted, Hertfordshire, Inglaterra, em 1904. Estudou no Balliol College, em Oxford, onde publicou mais de sessenta poemas, contos, artigos e críticas em jornais estudantis. O primeiro livro de Greene a ser publicado foi Babbling April, em 1925, uma coletânea de poemas, logo seguido por dois romances que já traziam sua marca: tratar de questões de moral por meio das histórias policiais. Em 1926, mudou-se para Londres, onde trabalhou para o Times e para o The Spectator, como crítico de cinema e editor de literatura.
Ainda em 1926, converteu-se ao catolicismo. Greene detestava o termo “romancista católico” cunhado pelos críticos. Depois de tentativas frustradas como romancista, Greene estava a ponto de abandonar a escrita. Seu primeiro sucesso foi Expresso do Oriente, de 1932. As convicções religiosas de Greene não se tornaram excessivamente aparentes em sua ficção até este O condenado, de 1938, mas tornaram-se explícitas em Fim de caso, de 1951, baseado na história de seu relacionamento adúltero com Catherine Walston. Este lhe valeu a fama internacional, sendo levado aos cinemas por duas vezes, em 1955 e 1999, esta última numa adaptação de Neil Jordan com Stephen Rea, Julianne Moore e Ralph Fiennes nos papéis principais. Aventura e suspense eram elementos constantes em seus romances e muitos de seus livros transformaram-se em filmes de sucesso.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Greene trabalhou para o serviço de inteligência inglês. Depois da guerra viajou como jornalista free-Iance e viveu longos períodos em Nice, na Riviera Francesa. Seu foco passou então da religião para a política e, graças a seus comentários antiamericanos, obteve acesso a líderes comunistas como Fidel Castro e Ho Chi Minh.
Greene recebeu inúmeros prêmios em todo o mundo e publicou dois volumes de sua autobiografia, em 1971 e 1980, além da história de sua amizade com o ditador panamenho general Omar Torrijos. Por várias vezes, foi candidato ao Prêmio Nobel de Literatura, mas nunca foi agraciado. Morreu em Vevey, Suíça, em 3 de abril de 1991.
De Graham Greene, a Editora Globo publicou O condenado, Um lobo solitário e Os farsantes.
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De: R$ 34,00
R$ 31,96
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O CERNE DA QUESTAO
Graham Greene
EDITORA:
Globo
SEGMENTO:
Literatura Estrangeira
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