O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS
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OBJETO
DE DESEJO
A notícia da morte de Fernando Pessoa, telegrafada de Lisboa pelo companheiro de heteronímia Álvaro de Campos, faz Ricardo Reis decidirse a retornar imediatamente a Portugal. Como logo percebem os funcionários do hotel onde ele se hospeda na noite tempestuosa da chegada a Lisboa, Reis possui um temperamento formal e comedido. Gosta de fecharse em seu quarto, aparecendo quase que somente nos horários das refeições ou nas saídas e chegadas de suas perambulações solitárias pela cidade. Enquanto espera tranquilamente a hora de ir juntar-se ao seu criador, assiste pelos jornais ao espetáculo do mundo e às vezes compõe versos dedicados à camareira do hotel ou a uma jovem hóspede com a mão esquerda paralisada.
As fronteiras habituais entre realidade e literatura dissolvemse de modo impactante nesta amostra emblemática da ficção de José Saramago. O ano da morte de Ricardo Reis é considerado por muitos críticos seu melhor romance e o livro-chave que o projeta entre os maiores prosadores da língua portuguesa. Aproveitando habilmente o fato de Fernando Pessoa não ter fixado em seus escritos a data da morte de Reis, o autor encena os últimos meses do poeta das musas abstratas com sua habitual maestria narrativa.
JOSÉ SARAMAGO nasceu numa pequena vila da província do Ribatejo, Portugal, em 1922. Trabalhou como desenhista, funcionário público, editor e jornalista. Romancista, contista, teatrólogo e poeta, escreveu mais de trinta livros, e foi o primeiro autor de língua portuguesa a receber o prêmio Nobel de literatura, em 1998. Faleceu em 2010.
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