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OBJETO
DE DESEJO
É no caráter híbrido, irredutível a classificações imediatas, que reside a riqueza de Seda. A história se desenvolve sobre a trajetória de Hervé Joncour, numa cidade francesa cuja economia floresce, em meados do século xix, com o incipiente negócio da seda. Nas viagens que faz ao Japão para comprar o produto, descortina-se para ele um mundo ao mesmo tempo arcaico e novo, no qual a estranheza se mistura ao fascínio e à paixão.
Seda é um relato de sensações, de como a realidade objetiva se transmuda na visão, na memória e na linguagem de um indivíduo. O texto se articula sobre as imagens possíveis do que é puro mistério para Joncour. É em tal poder evocativo das palavras que o protagonista acaba encontrando, já velho e reconciliado com as lembranças, um sentido para a existência.
“Não é um romance”, diz o autor. “Nem um conto [...]. Pode-se dizer que é uma história de amor. Mas se fosse assim não valeria a pena contá-la. Há no meio desejos e dores que sabem muito bem o que são, mas um nome verdadeiro, por assim dizer, não existe.”
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