TRATADO GERAL DAS GRANDEZAS DO INFIMO - 1ªED.(2001)
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OBJETO
DE DESEJO
"Você, que vai ler este livro, escutará o silêncio das pedras, das águas dos chapéus, e o silêncio do seu próprio vôo." - (Ana Miranda)
Manoel de Barros, um dos maiores poetas brasileiros da atualidade, nos convida para uma viagem em TRATADO GERAL DAS GRANDEZAS DO ÍNFIMO. Um vôo pelas belezas do Pantanal e da lírica do poeta pantaneiro. Manoel trata de coisas pequenas e desimportantes, as mais importantes para ele, na verdade. As que possuem maior grandeza e valor, as coisas simples da vida.
Na primeira parte do livro encontramos poemas de beleza singular como "A disfunção", no qual Manoel revela uma característica conhecida dos poetas: a disfunção lírica.
"Há nas cabeças dos poetas um parafuso de a menos
Sendo que o mais justo seria o de ter um parafuso trocado de que a menos
A troca de parafusos provoca nos poetas uma certa disfunção lírica"
O autor explica que apaixonou-se pela expressão depois de ouvi-la em um discurso do irmão e resolveu estudá-la. Descobriu que a tal disfunção não só existe como tem sete sintomas, entre eles "a vocação para explorar os mistérios irracionais" e "a mania de comparecer aos próprios desencontros".
O vínculo de Manoel de Barros com o Pantanal continua forte em TRATADO GERAL DAS GRANDEZAS DO ÍNFIMO. "As palavras que contém sol e água me subjugam. Tudo que sai de mim tem cheiro de brejo, de rãs, de formigas", diz Manoel. As riquezas do Pantanal ganham mais vida e luz nas mãos engenhosas do poeta.
Em um segundo momento o poeta nos leva mais uma vez ao mundo de Bernardo da Mata. "O Livro de Bernardo", fala de alguém que segundo Manoel "é quase uma árvore e reverdece dele mesmo" - um irmão por adoção do poeta pantaneiro.
TRATADO GERAL DAS GRANDEZAS DO ÍNFIMO é inspirador. Um dos mais resplandecentes momentos na carreira do poeta do Pantanal. Um convite irrecusável pela poesia sem limites de Manoel de Barros.
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