OBSERVAÇOES SOBRE EDIPO E OBSERVAÇOES SOBRE ANTIGONA

OBSERVAÇOES SOBRE EDIPO E OBSERVAÇOES SOBRE ANTIGONA

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Sinopse
No final do século XVIII, o poeta, romancista, dramaturgo e filósofo Friedrich Hölderlin (1770-1843) escreveu A morte de Empédocles, peça inspirada na vida do filósofo de Agrigento, que deveria ser “uma verdadeira tragédia moderna”. Deixando-a inacabada depois de três versões, por sentir que lhe faltava dramaticidade, decidiu voltar aos gregos em busca dos fundamentos do teatro. Voltou, mais especificamente, a Sófocles, que considerava o maior dos poetas trágicos, e traduziu suas duas principais tragédias: Édipo e Antígona.

As “Observações sobre Édipo” e as “Observações sobre Antígona”, que acompanharam as traduções, talvez sejam os textos mais extraordinários já escritos sobre essas tragédias: pela explicação de suas articulações, suas leis, seu ritmo; pela apresentação do sentido de suas principais cenas; mas principalmente pela reflexão sobre a essência do trágico que elas contêm.

Trata-se de um pensamento denso, difícil, como todo aquele que diz algo novo, diferente, e precisa criar conceitos que exponham essa visão original. Daí as “Observações” de Hölderlin virem precedidas, nesta edição, do importante Hölderlin e Sófocles, do filósofo francês Jean Beaufret (1907-1982), famoso como introdutor do pensamento de Heidegger na França do pós-guerra e como professor de toda uma geração de filósofos.

Por sua relevância, esse estudo de Beaufret marcou as reflexões posteriores sobre o trágico hölderliniano. Foi esse o caso, na França, de Lacoue-Labarthe, François Courtine ou Françoise Dastur, mas até mesmo de Gilles Deleuze, filósofo, no entanto, tão diferente deles.

A visão do conflito trágico entre o homem e o divino que essas obras-primas de Sófocles sugeriram a Hölderlin é profundamente instigante, não só em relação à Grécia, mas também ao mundo moderno, do qual ele foi um dos primeiros intérpretes. E o texto de Beaufret contribui decisivamente para a compreensão dessa leitura, ao centrar sua análise das “Observações” na situação trágica do afastamento do divino e na decorrente volta purificadora do homem para a terra.