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Autora de um dos mais intrigantes contos da literatura brasileira – “O ovo e a galinha” – Clarice Lispector também elegeu este animalzinho desajeitado como protagonista do infantojuvenil A vida íntima de Laura. No conto, a galinha é apresentada como um ser que “tem muita vida interior” e, sobretudo, um “disfarce do ovo” – símbolo do mistério da existência. Também em A vida íntima Clarice vai, como de costume, descortinar junto às crianças leitoras o mistério existente sob a vida cotidiana. Tudo a partir do pequeno universo de Laura, uma galinha muito simpática, de pescoço bem feio, casada com um vaidoso galo chamado Luís.Um passeio pelo universo de Laura nos permite notar de que modo a escritora – consagrada por romances, contos e crônicas que tematizam o inefável, o indizível – dialoga com o público infantojuvenil. “É que no fundo eu escrevo muito simples, sabe? Eu não enfeito”, dizia Clarice. Em sua incursão pela vida desta galinha, não poderia ser diferente. Simples, sim, mas com muita profundidade – uma das principais marcas da autora.Como todas de sua espécie, Laura dá à luz um ovo, passeia pelo galinheiro, e corre o risco de virar galinha ao molho pardo. Bem ao estilo clariceano, também essa narrativa é pontuada pelas ambiguidades características da vida. Embora seja “bastante burra”, Laura consegue se disfarçar e escapar da panela graças à própria esperteza. Embora tenha o pescoço mais feio do mundo, não importa, porque “o que vale mesmo é ser bonito por dentro”.
Título: A Vida Intima De Laura
ISBN: 9788532508119
Idioma: Português
Encadernação: Brochura
Formato: 16 x 23 x 0,3
Páginas: 32
Ano copyright: 1978
Coleção:
Ano de edição: 1999
Edição: 2ª
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Clarice Lispector (1925-1977) passou a infância em Recife e em 1937 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se formou em direito. Estreou na literatura ainda muito jovem com o romance Perto do Coração Selvagem (1943), que teve calorosa acolhida da crítica e recebeu o Prêmio Graça Aranha. Entre suas obras mais importantes estão as reuniões de contos A Legião Estrangeira (1964) e Laços de Família (1972) e os romances A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977).
Clarice Lispector começou a colaborar na imprensa em 1942 e, ao longo de toda a vida, nunca se desvinculou totalmente do jornalismo. Trabalhou na Agência Nacional e nos jornais A Noite e Diário da Noite. Foi colunista do Correio da Manhã e realizou diversas entrevistas para a revista Manchete. A autora também foi cronista do Jornal do Brasil. Produzidos entre 1967 e 1973, esses textos estão reunidos no volume A Descoberta do Mundo.