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Autor: Dalton Trevisan
Editora: Record
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''Em 234, o curitibano Dalton Trevisan mostra um pouco mais de sua inconfundível e tão intensa escrita. ''''Na cama, diz o marido: — Você é gorda, sim. Mas é limpa.— ...— Você é feia, certo? Mas é de graça.Uma moça? Foi, sim. Teve essa fita. Andando num caminho sem gente, trombei com ela. Muito pirado. Aí, aconteceu. Se estava de barriga? Não fiquei lá para saber. Essa outra me conheceu? Acho que tem esse lance. Eu ia passando na estrada, ela vinha vindo. Pedi horas pra ela. Comecei a trocar uma ideia e tal. Feliz Natal, eu disse. Aí ela viu a faca: ''''Tá limpo. Num quero que me mata. Num quero é morrer.'''' Eu usei ela. Fiquei com ela e tal. Dentro dos conformes. — Sabe quem bateu às três da manhã na porta do meu quarto?— Ai, amiga... Quem pode ser?— O Senhor Jesus. Ele queria muito falar comigo.— Essa, não. Logo o Senhor Jesus. E daí?— Duas vezes me chamou pelo nome.— Orra, não me figa. O que...— Você abriu a porta? Nem eu. Já sei o que era. Só porque eu... Fiquei bem quieta. E não quis falar com ele. — Bêbado, ele me bate sem dó. Fica doidão, quer fazer tudo. Se resisto, apanho mais ainda. Ai, meu Jesusinho. Então abro as pernas. Uma vela ofericida para as almas do purgatório.''''''
Título: 234
ISBN: 9788501048738
Idioma: Português
Encadernação: Brochura
Formato: 13,6 x 20,5 x 0,9
Páginas: 128
Ano copyright: 1997
Coleção:
Ano de edição: 2013
Edição: 3ª
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Autor: Dalton Trevisan
Dalton Trevisan nasceu em Curitiba, em 1925. Formou-se na Faculdade de Direito do Paraná e liderou o grupo literário que publicou, entre 1946 e 1948, a revista Joaquim. A publicação continha o material de seus primeiros livros de ficção, incluindo Sonata ao luar (1945) e Sete anos de pastor (1948). Em 1954 publicou, entre outros, o Guia Histórico de Curitiba e Crônicas da Província de Curitiba, edições populares à maneira dos folhetos de feira. A partir dos habitantes da cidade, criou personagens e situações de significado universal, em que as tramas psicológicas e os costumes são recriados por meio de uma linguagem concisa e popular, que valoriza os incidentes do cotidiano sofrido e angustiante. Em 1968, concorrendo sob pseudônimo, Trevisan conquistou o primeiro lugar do I Concurso Nacional de Contos do Estado do Paraná. Dedicando-se exclusivamente ao conto (só teve um romance publicado: A Polaquinha), Trevisan acabou se tornando o maior mestre brasileiro no gênero. Em 1996, recebeu o Prêmio Ministério da Cultura de Literatura pelo conjunto de sua obra. Avesso a entrevistas e demais exposições na mídia, Trevisan recebeu a alcunha de “Vampiro de Curitiba”, nome de um de seus livros. É autor, entre outros, de Ah, é?, obra-prima do estilo minimalista, Novelas nada exemplares (1959), Morte na praça (1964), Cemitério de elefantes (1964) e O vampiro de Curitiba (1965). Em 2003, dividiu com Bernardo Carvalho o 1º Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira com o livro Pico na Veia.