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Depois de liderar uma tocaia sangrenta contra um inimigo de seu patrão, o jagunço Natário da Fonseca recebe alguns alqueires próximos ao palco da matança, o povoado de Tocaia Grande. Ali, passa a cultivar cacau. Agora proprietário de terras, Natário encomenda no Rio de Janeiro, então capital do país, patente de capitão. Assim, nos moldes de um coronel nordestino, começa a ampliar seus domínios e a impor sua autoridade.Tocaia Grande cresce e de lugar de pernoite passa a lugarejo, depois a arraial. O lugar recebe prostitutas, tropeiros, jagunços, ciganos e trabalhadores que perderam emprego nos latifúndios. Vários personagens compõem a história do povoado: Bernarda, afilhada e amante de Natário; Venturinha, filho do coronel Boaventura e bacharel em direito; a cafetina Jacinta Coroca; a feiticeira Epifânia; o negro Castor Abduim, conhecido como Tição, e o comerciante libanês Fadul Abdala. Aos poucos, de terra sem lei o povoado amplia-se até alcançar o estatuto de cidade e receber o nome de Irisópolis.Em Tocaia Grande, Jorge Amado descreve o processo de formação de uma cidade nordestina nascida sob o signo da violência e da disputa de terras. Romance caudaloso e panorâmico, revela a “face obscura” de um lugar em que a lei não vigora nem há presença formal do governo.Na região cacaueira, a pequena cidade de Irisópolis é o microcosmo de uma sociedade de funcionamento tradicional e arcaico, que recebe os ventos da modernização sem perder a herança perversa. Apesar do progresso, da emancipação e dos elementos civilizatórios, o lugar vai conservar seus traços originais: o sangue derramado, a marca do pecado e a memória da morte.
Título: Tocaia Grande
ISBN: 9788535911848
Idioma: Português
Encadernação: Brochura
Formato: 14 x 21
Páginas: 472
Ano copyright: 2008
Coleção: Jorge Amado
Ano de edição: 2008
Edição: 1ª
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Autor: Jorge Amado
Jorge Amado nasceu em 10 de agosto de 1912, em Itabuna, na Bahia, filho de João Amado de Faria e Eulália Leal. Aos dois anos, a família mudou-se para Ilhéus, onde o menino passou a infância e viveu experiências que marcariam sua literatura: a vida no mar, o universo da cultura do cacau e as disputas por terra. Começou a escrever profissionalmente como repórter aos catorze anos, em veículos como Diário da Bahia, O Imparcial e O Jornal. Na década de 1930 transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde estudou direito e travou contato com artistas e intelectuais de esquerda, como Raul Bopp, Rachel de Queiroz, Gilberto Freyre, Graciliano Ramos, Vinicius de Moraes e José Lins do Rego. Estreou com o romance O país do Carnaval (1931). Durante o Estado Novo (1937-45), devido à sua intensa militância política, sofreu censuras, perseguições e chegou a ser detido algumas vezes. Foi eleito deputado federal pelo PCB em 1945. Entre os projetos de lei de sua autoria, estava o que instituía a liberdade de culto religioso. Nesse mesmo ano, conheceu Zélia Gattai, com quem se casou, teve dois filhos, João Jorge e Paloma, e viveu até os últimos dias. Nas décadas de 1940 e 50, viajou pela América Latina, Leste Europeu e União Soviética. Escreveu então seus livros mais engajados, como a biografia de Luís Carlos Prestes e a do poeta Castro Alves, além da trilogia Os subterrâneos da liberdade. Rompeu com o PCB nos anos 1950. A partir de então, sua literatura passou a dar mais relevo ao humor, à sensualidade, à miscigenação e ao sincretismo religioso, em livros como Gabriela, cravo e canela (1958), Tenda dos Milagres (1969), Tieta do Agreste (1977). Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1961, e ganhou prêmios importantes da literatura em língua portuguesa, como o Camões (1995), o Jabuti (1959 e 1997) e o do Ministério da Cultura (1997). A partir da década de 1980, passou a viver entre Salvador e Paris. Sua obra está publicada em mais de cinquenta países e foi adaptada com sucesso para o rádio, o cinema, a televisão e o teatro, transformando seus personagens em parte indissociável da vida brasileira. Jorge Amado morreu em 2001, alguns dias antes de completar 89 anos.