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Que não se busque nesta publicação – com tradução e edição esmeradas do português João Barrento – todo o pensamento e o coração aquecido de Walter Benjamin.Como diz aquele, referindo-se às teses “Sobre o conceito de História”, a narrativa benjaminiana é “um conjunto instável de reflexões”. Além do que, a vida do escritor, ao tempo destas reflexões, estava colada ao terror e à violência da guerra do nazismo. Contudo, os ruídos assustadores dessas contingências empurraram Benjamin para ficar vivo e para pôr no papel ideias que produzira ao longo de aproximadamente duas décadas – algo também operado como consolo e ataque para a desgraça europeia. Convém acompanhar os textos do filósofo com os outros na seção “Comentário”, pela riqueza da pesquisa de Barrento, que traz cartas de Benjamin e seus interlocutores, notas e informações complementares.Muitas das espessuras e dimensões do vivido afortunadamente chegam até nós nesta edição. Os direitos e as iluminações do passado, o vigor do materialismo histórico, a necessária revisão da tradição, o patrimônio cultural como trabalho, também, de anônimos; as notas metodológicas como “escovar a História a contrapelo”, a flecha que interroga e fere o “vendaval do progresso”, a recusa diante de um tempo “vazio e homogêneo”, a afirmação do tempo e do espaço históricos – entre tantas outras. Walter Benjamin tem importância viva nas Ciências Sociais e na História – especialmente no Brasil, onde, a partir da década de 1980, conquistou mais leitores. Aqui está a inteligência radiosa desse criador de conhecimentos sobre a vida social e política, posta a serviço pela radicalidade corajosa e insistentemente fincada nas possibilidades libertárias.
Título: O Anjo Da Historia
ISBN: 9788582170410
Idioma: Português
Encadernação: Brochura
Formato: 15,5 x 22,5
Páginas: 264
Ano copyright: 2012
Coleção: Filo/Benjamin
Ano de edição: 2012
Edição: 1ª
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Walter Bendix Schönflies Benjamin, filósofo e crítico literário, nasceu em Berlim em 1892 e se suicidou em 1940, na fronteira da França com a Espanha, durante uma tentativa de fuga dos nazistas. A rejeição de sua tese de habilitação, “A origem do drama barroco alemão”, o impediu de exercer a docência universitária na Alemanha. A partir de 1924 descobriu o marxismo, através da obra de Lukács, e se tornou simpatizante do movimento comunista. Foi associado à Escola de Frankfurt, o Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt, criado em 1923, e seus principais escritos versam sobre o materialismo histórico, a estética e a arte, o idealismo alemão e, de maneira geral, o marxismo ocidental. Em seus ensaios, combina referências literárias e artísticas com filosofia e sociologia. Em 1933, com a tomada do poder dos nazistas, exilou-se na França. Foi amigo e correspondente de Theodor Adorno, Max Horkheimer, Gershom Scholem, Bertolt Brecht e Hannah Arendt. Seu último escrito, as Teses sobre o conceito de história, de 1940, associa o materialismo histórico ao messianismo revolucionário. Sua obra, de caráter fragmentário e ensaístico, foi parcialmente publicada em coletâneas no Brasil, incluindo Passagens (2006) e três volumes de Obras escolhidas: Magia e técnica, arte e política (1985), Rua de mão única (1987) e Charles Baudelaire, um lírico no auge do capitalismo (1989).