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Autor: Gianni Ratto
Editora: Bem-Te-Vi
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“Filósofo seguramente não souNem quero sê-lo, não é minha vocação; Também literato não sou pois escrevo Como falo, pelo prazer de conversar.”Anônimo, século XXÉ com esse trecho de um dos muitos poetas anônimos perdidos nos caminhos do intenso século XX que o italiano Gianni Ratto começa sua autobiografia. Ao contar histórias sobre sua trajetória, Gianni Ratto, um dos maiores e mais importantes cenógrafos e figurinistas de sua época, propõe que o acompanhemos por meio de seu olhar de peregrino, nômade e explorador: mochila nas costas, carregando fragmentos de lembranças de uma vida inteira dedicada às artes cênicas. Seus caminhos o trouxeram ao Brasil, onde teve papel essencial na criação do teatro brasileiro contemporâneo e na formação de toda uma geração de atores e diretores.A mochila do mascate (fragmentos do diário de bordo de um anônimo do século XX), vem em edição revista de sua publicação original, nos anos 90, pela Bem-Te-Vi Produções Literárias. Às memórias de Gianni Ratto, junta-se uma seleção preciosa de fotos de algumas de suas montagens. O mascate do título não é à toa: aos 80 anos de idade, vê-se como um vendedor de ilusões, ou melhor, reflexões, como só o exercício das artes cênicas pode proporcionar. De todos os encenadores que decidiram, a partir da Segunda Guerra, atuar no Brasil, Gianni Ratto foi quem mais se identificou com o país. Ao deixar a Itália, em 1954, quando já era considerado um dos maiores cenógrafos internacionais – foi um dos criadores do Piccolo Teatro de Milão, dirigiu a diva da ópera Maria Callas no Teatro ala Scalla de Milão e trabalhou com outros grandes nomes da cultura italiana como o cineasta Lucchino Visconti –, seu objetivo passou a ser o de integrar-se profundamente no nosso teatro, tornando-se uma das forças vivas de sua afirmação.“O teatro não precisa de cenografia; o teatro já contém a cenografia em si mesmo, ele a cria a partir do momento em que o espetáculo está sendo realizado pelos atores, pela magia das palavras, pela riqueza dos pensamentos expressados, pela atmosfera poética, pelos climas dramáticos, pela integração palco-plateia, pela realidade fictícia que duas comunidades em plena comunhão estão vivendo graças à ausência de tudo o que é supérfluo”, escreve. “Ninguém, como ele, se associou de forma tão consciente e consequente à dramaturgia brasileira. Se o polonês Ziembinski instituiu a modernidade no palco nacional, em 1943, com a estreia de “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, Gianni lançou “A Moratória”, de Jorge Andrade, um ano após sua chegada a São Paulo. E, a partir daí, estabeleceu como meta preponderante a valorização do nosso autor, base de uma desejada identidade cênica”, aponta Sábato Magaldi em trecho do prefácio que escreveu para o livro.Seguiram-se várias montagens, em épocas diversas, que tiveram, ao lado do mérito artístico, o de revelar aspectos fundamentais da realidade brasileira: “Cristo Proclamado”, de Francisco Pereira da Silva; “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar; e “Gota D’Água”, de Chico Buarque e Paulo Pontes, entre outras. Foi essencial na onda de renovação do teatro brasileiro, no qual participou do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e da companhia Teatro dos Sete, formada por Fernanda Montenegro (que começou o caminho para a fama por suas mãos ao estrear muitas peças que dirigiu), Fernando Torres, Sérgio Britto, Cleide Yáconis e Paulo Autran, entre outros.Sua autobiografia não segue ordem cronológica pois não é essa o caminho da memória. Cada fragmento que ilumina se intercala com outros formando uma personalidade singular, que dedicou seus talentos e capacidades à serviço da cultura brasileira.
Título: A Mochila Do Mascate
ISBN: 9788588747524
Idioma: Português
Encadernação: Brochura
Formato: 16,2 x 23 x 2
Páginas: 328
Ano copyright:
Coleção:
Ano de edição: 2016
Edição: 2ª
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Autor: Gianni Ratto