Home › Livros › Humanidades › Crítica e Teoria Literária
Autor: Michel Zeraffa
Editora: Perspectiva
PRODUTO DISPONÍVEL Previsão de postagem em até 9 dias úteis.
R$ 169,90
em até 3x sem juros
Pessoa e Personagem, de Michel Zéraffa, traz, para a bibliografia dos estudos literários brasileiros, um trabalho notável pela amplitude de seu corpus analítico, pela marcante penetração das relações estabelecidas e pela estruturação objetiva de seus argumentos. O tema é central no que diz respeito à criação e à recepção dos universos gerados pelas obras romanescas, principalmente aquelas que marcam época em seu tempo, e, às vezes, senão para todos, para muitos tempos, pela representatividade conseguida na modelagem e pintura das personagens condutoras dos fios novelescos. Pois no universo real, o romancista inovador encontra uma matéria-prima, mas não um modelo, uma vez que nenhuma pessoa, tomada individualmente, pode ser reduzida a um esquema intelectual e formal. Mesmo que existam linhas mais aparentes em seus modos de atuação no curso da vida, a sua variedade, mudança e reações são inapreensíveis em conjuntos perenes e definitivos; o filme da existência de um homem é irrealizável, porque, por menor que seja a redução a fotogramas, estes são carentes no que tange a seus próprios atos e manifestações no aqui e agora. Se isso é verdade, o que, então, constitui o seu croquis na linguagem literária, em especial no romance? Não só à primeira vista verifica-se que, formada por signos da linguagem no âmbito do universo do discurso, em que pese todo poder do registro sensível e da sugestão, a personagem é uma invenção de um poder artístico; portanto, uma livre anotação da sensibilidade, sem dúvida, mas não menos uma deliberada edificação do intelecto, sob bases estruturais. O autor é quem as estabelece e veste sobre este, por assim dizer, manequim as roupagens de suas projeções, que são levadas, tecidas com histórias, à recepção imaginativa e intelectual do leitor, sob a forma romance.A rica variedade que esse processo alcançou, sobretudo na época moderna e, em particular, nos anos de 1920, desenha-se em suas feições mais características e significativas na exposição que Michel Zéraffa nos faz aqui, neste livro. O fenômeno da plasmação romanesca é pinçado in situ nas obras de Joyce, Hermann Hesse, Thomas Mann, Faulkner, Proust, John dos Passos, André Gide, Kafka, Malraux, Roger Martin du Gard, Virginia Woolf, entre outros. À sua luz, o sagaz crítico francês colhe, com objetividade pontual, os elementos de comprovação para o seu ponto de vista, segundo o qual “o romance tem por missão revelar o quanto o Eu, na finitude de sua aparência, é desproporcionado em face da imensidade do Ego, e, acima de tudo, revelar que uma individualidade jamais sintetiza uma consciência”. Portanto, se não há personagem sem pessoa, esta tampouco é redutível à figura de um herói de romance, visto que, em seu devir fenomenal, ela jamais pode ser totalizada em uma síntese, embora possa vir a converter-se, majorada, em um símbolo de sua condição. E, tanto mais na sua escritura ficcional, que depende, mesmo em Faulkner como em Joyce, sobretudo, da composição narrativa e na economia de seu desenrolar, que lhe permitem condensar eventualmente alguns traços e integrá-lo em nível de representação simbólica.
Título: Pessoa e personagem: o romantismo dos anos de 1920 aos anos de 1950
ISBN: 9788527308182
Idioma: Português
Encadernação: Brochura
Formato: 16 x 23
Páginas: 499
Ano copyright: 1971
Coleção:
Ano de edição: 2011
Edição: 1ª
Região:
Idioma:
Legenda:
País de produção:
Formato de tela:
Áudio Original:
Tempo de Duração:
Quantidade de discos:
Selo:
Código:
J. Guinsburg, ou Jacob Guinsburg, ou ainda Jaco Guinsburg, (Rîscani, 1921) nasceu na Bessarábia, hoje território da Moldávia. Emigrou para o Brasil com seus pais em 1924, com três anos de idade. Professor de Estética Teatral e Teoria do Teatro da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Guinsburg é considerado um dos grandes teóricos do teatro brasileiro, sendo também tradutor e editor de mais de uma centena de importantes obras de estética, teoria e história das artes e do teatro. É o mais importante especialista em teatro russo e em língua iídiche no Brasil. É autor de Stanislávski e o Teatro de Arte de Moscou, Dicionário do Teatro Brasileiro, Aventuras de uma Língua Errante: Ensaios de Literatura e Teatro Ídiche, Stanislávski, Meierhold e Cia., Da Cena em Cena, além de tradutor de obras de Diderot, Lessing, Nietzsche, entre outras. Guinsburg faleceu em 21 de outubro de 2018, aos 97 anos.