Revista brasileira #128: veredas

Organizador: Academia Brasileira de Letras
Editora: Academia Brasileira de Letras

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Sinopse

As palavras têm história. Buriladas pelo tempo, vão ganhando sentidos vários, assim como as pessoas vão ganhando palavras que escrevem as suas vidas. Veredas são caminhos estreitos, podem ser o chão de buritis, terra fértil na beira de um rio, riachinhos, promessa de umidade na secura do sertão. Podem ser também o caminho que alguém toma na vida, escolha que se faz destino, um rumo, uma direção.No Brasil de Guimarães Rosa, as veredas assumem todos esses sentidos. No Brasil de hoje também são muitas as direções possíveis, e a polissemia da palavra foi uma isca queescolhemos para pescar pensamentos, ideias e visões dos caminhos estreitos, atalhos, pântanos ou brejos que teremos que atravessar, o rumo que tomaremos com as nossas escolhas eas consequências nas nossas vidas. Em tempo de eleições, ouvir os que pensam o país e o trazem na cabeça e no coração é indispensável para escolher futuros.Fernando Henrique Cardoso, que presidiu o Brasil por oito anos na esteira de uma vida de lutas em defesa da Democracia, no discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, refezas veredas que seguiu no esforço de melhorar o país e apontou um norte: “o momento é de respeito à pluralidade de identidades culturais, de reconstrução das instituições para que elas captem e representem o sentimento e os novos interesses da população”. Continua valendo a advertência.Grande sertão: veredas celebra 70 anos de sua publicação e merece a homenagem de um encarte todo seu. Guimarães Rosa, “intérprete do Brasil”, apud Heloisa Starling, acertou precisamente em uma entrevista que deu ao crítico literário alemão Günter Lorenz, que lhe pediu que definisse o que é a brasilidade: “Brasilidade é a língua de algo indizível... Nós sabemos a importância que tem e o que quer dizer; e também só o sabemos com o coração. Ou, digamos, para salientar a importância irracional, inconcebível, intimamente poética, que a palavra em si contém, uma definição que tem valor para nós, para nosso caráter, nossa maneira de pensar, de viver e de sentir. Brasilidade é talvez um sentir-pensar”.Sentir-pensar é o desafio dos tempos incertos em que vivemos entre o feitiço da literatura de grandes autores, inventores de gente e destinos, e os sortilégios da ciência e da tecnologia, que desvendam mistérios ao mesmo tempo em que inventam outros. E se a inteligência artificial fosse um pensar sem sentir? E se nos fizer pensar o que não sentimos inventando suas próprias “verdades”? É quando Hermano Vianna pergunta: “onde está Riobaldo para nos ensinar a ‘desendoidecer’, ‘desdoidar’ e nos iniciar na alquimia de transformar medo em coragem?”Viver e entender estes tempos, transformar o medo em coragem, não é trivial. A Ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, seguindo “as trilhas do Brasil”, afirma: “...uma vereda espera um pouquinho adiante a chegada do eterno peregrino da democracia ansiada, sempre pronta a renascer”. E aposta no voto nas mãos do povo, a via real da Democracia.Este número da Revista Brasileira espelha um tempo de justos temores e incansáveis esperanças. Afinal, um escritor brasileiro escreveu na nossa língua o Grande sertão: veredas. Que privilégio é lê-lo no original! Cordisburgo, obrigada.

Dados

Título: Revista Brasileira #128: Veredas

ISBN: 977010370700700128

Idioma: Português

Encadernação: Brochura

Formato: 21 x 30

Páginas: 192

Ano de edição: 2026

Edição: 1ª

Participantes

Organizador: Academia Brasileira de Letras