Neoextrativismo e autoritarismo: afinidades e convergencias

Autor: Henri Acselrad
Editora: Garamond

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Sinopse

A presente coletânea traz à discussão as realidades empiricamente observadas dos “modelos” e “estratégias” acionados pelos aparatos de poder na implementação de grandes projetos dos agronegócios, dos corredores logísticos e da mineração. São aqui analisados os diferentes conflitos sociais e territoriais resultantes da ofensiva dos interesses fundiários, minerários e financeiros que gravitam em torno às dimensões autoritárias das práticas de grandes corporações. Tais interesses baseiam-se na visão triunfalista de que a terra seria um bem ilimitado e permanentemente disponível. Tal imagem está presente nas falas ufanistas do agronegócio, enfatizando que “as terras aráveis do Brasil podem alimentar o planeta” ou que “as terras férteis do Brasil devem ser ocupadas em toda a sua extensão”. Tais afirmações são acompanhadas de esforços em desconsiderar os impactos socioambientais provocados pelos grandes empreendimentos agropecuários, energéticos e minerais. A narrativa mítica de terras ilimitadas e minerais inexplorados, apresentados como recursos abertos e/ou “espaços vazios”, esbarra nos antagonismos sociais e territoriais que lhe são subjacentes. Fatores étnicos, laços de parentesco e práticas costumeiras de uso da terra, de livre acesso aos campos naturais e inúmeras outras situações de uso comum dos recursos naturais, formalmente abrigadas sob a designação de terras tradicionalmente ocupadas, são vistas, pelas grandes corporações, como obstáculos às transações de compra e venda de terras e à exploração mineral. A repetida invocação de "modernidade" e "progresso" pretende justificar que os agentes sociais atingidos pelos projetos do capitalismo extrativo sejam menosprezados ou tratados etnocentricamente como "primitivos" e sob o rótulo de "atraso", não importando se sejam povos indígenas, quilombolas ou “povos do cerrado” brasileiro.Os trabalhos aqui apresentados, fruto do esforço coletivo de pesquisadores dedicados a desvendar as confluências entre autoritarismo de Estado e de mercado, destacam as implicações políticas dos novos dispositivos do capitalismo “ecologicamente modernizado”, da linguagem antipolítica do liberalismo autoritário, da relação entre neoextrativismo e constrangimento da liberdade acadêmica. Seu propósito é trazer novos elementos à crítica da inspiração colonialista do modelo de desenvolvimento que tem por base o capitalismo extrativo. Alfredo Wagner Berno de AlmeidaAntropólogo, bolsista do CNPq, professor do PPGICH da UEA e do PPGCSPA da UEMA

Dados

Título: Neoextrativismo E Autoritarismo: Afinidades E Convergencias

ISBN: 9786559370245

Idioma: Português

Encadernação: Brochura

Formato: 16 x 23

Páginas: 332

Ano de edição: 2022

Edição:

Participantes

Autor: Henri Acselrad

Autor

HENRI ACSELRAD

Henri Acselrad é Mestre em Economia pela Université Paris I (Sorbonne) e doutor em Planejamento, Economia Pública e Organização do Território pela mesma instituição. Professor associado do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR-UFRJ), é organizador de A duração das cidades (2009) e coeditor, com o IPPUR, de Planejamento e território – anos XV e XVI (2001 e 2002).