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Autor: Georges Perec
Editora: Companhia das Letras
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Só um homem que nunca comprou uma televisão e não sabe dirigir, como parece ter sido o caso de Georges Perec, pode conceber um estado progressivo de exasperação diante da vida prática como o que é relatado neste livro. Só um homem tão avesso ao chamado do consumo é capaz de provocar o riso do leitor diante de uma das situações ao mesmo tempo mais corriqueiras e constrangedoras da vida cotidiana nas sociedades que seguem à risca a cartilha do mercado. A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento é exatamente isso: uma bula às avessas. Um livro de antiajuda, que ensina a rir de si mesmo, nem que seja só para contrariar uma das principais tendências do mercado editorial num mundo reduzido a fórmulas matemáticas.Inspirado num organograma empresarial, Perec imaginou um jogo obsessivo de possibilidades cujo objetivo aparente seria evitar o pior — que por isso mesmo sempre acontece, a cada nova tentativa frustrada do protagonista, concebida como projeção exemplar e preventiva. À maneira de um manual antecipatório, o texto revela o ridículo das ações e das expectativas mais prosaicas do mundo do trabalho, por meio de sua repetição esquemática até o esgotamento. O leitor é o protagonista desse jogo combinatório de probalidades, que leva a obsessão pelas projeções matemáticas às raias do ridículo. Ao contrário dos manuais que ensinam a vencer na vida e fazer amigos num mundo onde mercado e realidade são sinônimos, este pequeno livro póstumo traduzido pelo premiado escritor Bernardo Carvalho mostra que não há regras nem limites para a imaginação literária.Georges Perec (1936-82) foi um dos grandes inovadores da literatura no século xx. Filho de judeus poloneses que imigraram para a França, perdeu o pai na frente de batalha, durante a Segunda Guerra, e a mãe num campo de concentração. Em 1965, recebeu o prestigioso prêmio Renaudot por As coisas, seu primeiro romance, e, em 1967, passou a integrar o centro de literatura experimental OuLiPo (Ouvroir de Littérature Potencielle), fundado por Raymond Queneau. Sua prosa extremamente lúdica recorre à lógica e à matemática para lançar uma luz surpreendente sobre os detalhes mais repetitivos das sociedades de consumo. A vida modo de usar (1978), considerado sua obra-prima, foi publicado pela Companhia das Letras em 1991 e, em 2009, em edição de bolso.
Título: A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir aumento
ISBN: 9788535916034
Idioma: Português
Encadernação: Brochura
Formato: 12 x 19,3
Páginas: 88
Ano copyright: 2008
Coleção:
Ano de edição: 2010
Edição: 1ª
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Jornalista e escritor, Bernardo Carvalho (1960, Rio de Janeiro) é um dos principais nomes da literatura contemporânea nacional. Trabalhou na Folha de S. Paulo por mais de quinze anos, jornal em que foi editor do suplemento cultural Folhetim, correspondente em Paris e Nova York e crítico literário no caderno Ilustrada. Deu início à carreira de escritor com a publicação da coletânea de contos Aberração (1993), exemplar da estrutura narrativa complexa que caracteriza suas obras. Seu livros foram traduzidos para mais de sete idiomas e os romances Nove noites (2002) e Mongólia (2003) venceram, respectivamente, o prêmio Portugal Telecom de 2003 e o Jabuti de 2004. Lançado em 2009, O filho da mãe é ambientado em São Petersburgo.