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Autor: Ivan Dutra Faria
Editora: Athalaia
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Escrever este livro foi uma experiência fascinante, mas muito complicada. Após muitas décadas produzindoinúmeros textos didáticos, acadêmicos ou profissionalmente delimitados, me deu na cabeça escrever um livro de ficção.Mas um livro sobre o quê? Muita gente me fez essa pergunta. De fato, quase a totalidade dos que souberam da minha empreitada me indagaram a respeito. Houve até quem, a título de elogio prévio, afirmou que estávamos a caminho um novo Asimov na área. Ah, não. Eu, hein... nunca, jamais. Nem mesmo sechovessem canivetes sobre mim, como diriam minhas doces vós. Nem se a tal ficção fosse científica. E nem é.Na verdade, apresenta-se aqui aos destemido leitores um livro único – sem juízo de valor. Bem... espera-se que ele tenha algum valor, claro. Mas certamente é algo que resulta de uma falta de juízo. Trata-se de uma grande ousadia escrever um texto totalmente composto de diálogos, ao menos segundo alguns bons amigos.Pois é, essas mesmas vítimas leram uma prévia do livro, em uma clara demonstração de companheirismo – ou, mais provavelmente, em um doce gesto de misericórdia. E, muito pior, alguns deles toparam a afronta que lhes foi feita de elaborar um prefácio para tal desatino. A cada uma dessas criaturas estoicas, a esses piedosos discípulos de Sêneca, Marcos Aurélio e Epíteto, devo a minha eterna gratidão.Consola-me a ideia de que talvez essas pessoas empáticas e generosas tenham tido a gentileza de ler a obra durante a transmissão da leitura de voto de algum ministro do STF na TV Justiça. Ou, quem sabe, eventualmente desprovidos de melhores opções, tais como a de assistir a um leilão de gado na tevê aberta. Isso explicaria ter tempo disponível para cumprir essa estamarrada missão.É bom que se diga que o desatinado convite a esse escrete de ouro surgiu, gradativa e impertinentemente, em minha mente, como uma romântica tentativa de formar um grupo de prefaciantes que eu gostaria de ver algum dia reunido em uma mesa de bar e em uma rodada.Não necessariamente em uma rodada rica em graus Gay-Lussac, mas com toda aquela verve que enriquece almas e inspira gestos de afeição.Consegui, mesmo a distância, tê-los comigo. Honrando-me com as suas opiniões sobre a minha insólita criação, essas pessoas amalgamaram sua generosidade às suas respectivas introduções ao livro. Aqueles que os conhecem conseguem mensurar o orgulho que ostento por suas presenças. É uma gente que dialoga com ou sem goles e tragos. Conversar por conversar, sem ter como meta convencer os demais da justeza de suas próprias convicções, coisa rara nos dias de hoje.Não por acaso essa ideia nasceu da leitura de “Conversas no Catedral”, de Mário Vargas Llosa. Ficou eternamente na memória o fato de o mestre de Arequipa ter escrito uma obra prima em que a narrativa se dá por meio uma conversa entre os dois personagens, no bar Catedral.Em uma romance de grande complexidade estrutural, o Nobel de Literatura fala sobre múltiplos aspectos da realidade do Peru dos anos 1950, em um prosaico ambiente boêmio. É inalcançável o seu brilhantismo, mas circunscrever uma história a um ambiente de bar, como fez Don Mário, é absolutamente tentador.
Título: Conversas No Garfifaca
ISBN: 9786502071281
Idioma: Português
Encadernação: Brochura
Formato: 14 x 21
Páginas: 360
Ano copyright:
Coleção:
Ano de edição: 2026
Edição: 1ª
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Autor: Ivan Dutra Faria