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Verena Cavalcante estreia na literatura praticamente criando um gênero – e isso não é pouca coisa. O gênero em questão (para o qual os críticos encontrarão algum rótulo) é o conto-de-horror-narrado-por-crianças. Não que seja uma novidade completa, já que alguns autores também experimentaram esse formato – mas Verena vai além, explorando peculiaridades deste tipo de narrativa. Seus narradores infantis têm inocência, ingenuidade e claudicância próprias, são verdadeiramente crianças, e falam, muitas vezes, como o brasileiro adulto semialfabetizado, o homem do mato, o trabalhador do campo, o que nos remete a experiências literárias brasileiras profundas, como as de Guimarães Rosa. Mas não há dúvidas de que são crianças – e devemos ter isso em mente para que o teor desses relatos fale à nossa psique. Há também, nestes contos, certa familiaridade. Acredito que todos já passaram por situações parecidas ou conhecem histórias similares às aqui narradas. E isto, ao contrário de um déjà-vu, oferece ao leitor ainda mais arrepios. Estamos longe, porém, do conto de horror clássico, com sustos. É o horror do cotidiano, sub-reptício, que faz os pelos do leitor se eriçarem lentamente. Recomendo a leitura homeopática.
Título: Larva - 1ªed.(2015)
ISBN: 9788555470097
Idioma:
Encadernação: Brochura
Formato: 13,8 x 20,5
Páginas: 96
Ano copyright: 2015
Coleção:
Ano de edição: 2015
Edição: 1ª
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