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Autor: Jorge Luis Borges
Editora: Companhia das Letras
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Ainda muito moço, Borges começou a percorrer a árdua topografia do mundo dantesco ao longo das viagens de bonde que o levavam ao trabalho cotidiano na sucursal Miguel Cané da biblioteca municipal de Buenos Aires. Descobriu então que os labirintos em italiano se deixavam vencer pela percepção central da mais extraordinária poesia, como se fossem o simples percurso de uma viagem lúcida e reflexiva através de um outro e mesmo universo em que se espelha, conforme a visão do grande poeta italiano, a aventura do homem na Terra e depois da morte. Em 1982, os ensaios deste livro são como relatos que refazem, numa tela fragmentária, os sugestivos pormenores simbólicos da história dessa viagem, ao mesmo tempo comum e insólita. Depois vêm “A memória de Shakespeare” e mais três contos fantásticos, em que o tranquilo domínio do estilo e as pulsantes obsessões se casam a motivos recorrentes: “Shakespeare é meu destino”, como se diz numa de suas páginas, mas além dele retornam a rosa, tantas vezes tematizada, os tigres, desta vez azuis e inalcançáveis, e o tema do duplo, que reescreve “O outro”, do Livro de areia, de outra e mais complexa perspectiva. O conjunto formaria com algumas histórias não escritas um novo livro de contos, inacabado com a morte do autor em 1986.
Título: Nove Ensaios Dantescos & A Memoria De Shakespeare
ISBN: 9788535919905
Idioma: Português
Encadernação: Brochura
Formato: 14 x 21
Páginas: 104
Ano copyright: 1995
Coleção: Biblioteca Borges
Ano de edição: 2011
Edição: 1ª
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Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo nasceu em Buenos Aires, em 24 de agosto de 1899, e faleceu em Genebra, em 14 de junho de 1986. Antes de falar espanhol, aprendeu com a avó paterna a língua inglesa, idioma em que fez suas primeiras leituras. Em 1914 foi com a família para a Suíça, onde completou os estudos secundários. Em 1919, nova mudança - agora para a Espanha. Lá, ligou-se ao movimento de vanguarda literária do ultraísmo. De volta à Argentina, publicou três livros de poesia na década de 1920 e, a partir da década seguinte, os contos que lhe dariam fama universal, quase sempre na revista Sur, que também editaria seus livros de ficção. Funcionário da Biblioteca Municipal Miguel Cané a partir de 1937, dela foi afastado em 1946 por Perón. Em 1955 seria nomeado diretor da Biblioteca Nacional. Em 1956, quando passou a lecionar literatura inglesa e americana na Universidade de Buenos Aires, os oftalmologistas já o tinham proibido de ler e escrever. Era a cegueira, que se instalava como um lento crepúsculo. Seu imenso reconhecimento internacional começou em 1961, quando recebeu, junto com Samuel Beckett, o prêmio Formentor dos International Publishers - o primeiro de uma longa série.