Dias uteis

Autor: Patricia Portela
Editora: Dublinense

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Sinopse

Uma novela em sete contos curtos, um para cada dia da semana, um prefácio fora de jogo, uma didascália e um epitáfio por preencher. "A morte também pode ser um país, um país interminável sem fronteiras, sem línguas onde eu ainda não quero viver." - Patrícia Portela na quinta-feira. "Procuramos o lugar exacto de onde vem a razão ignorando que a lógica nunca evitará a dor. Fazemos sentido porque podemos cair, não porque poderemos voar." - Patrícia Portela no sábado.Qual o significado de um dia? O dia útil é útil para quem? Patrícia Portela não escreve estas perguntas com estas palavras. Mas ao ler este conjunto de textos-performance, cada um batizado com o nome de um dia da semana, talvez você saia com estas e mais perguntas. Estes monólogos, solilóquios, discursos ecoam a experiência dramatúrgica de Patrícia e perecem pedir, a cada vírgula, a cada declaração, a cada quebra de linha, uma voz que dê corpo a essas pessoas anônimas (como nós) que evidenciam pelo humor, pelo patético, mas também pela dor, uma rotina que parece com “ver um filme na televisão que, apercebo-me a meio, já vi, mas sem forças para mudar de canal”. A verdade é que, assim como para o sentido da vida (essa busca sem sentido), não haverá resposta única para o valor dos dias úteis ou inúteis – e, quem sabe, não haverá resposta. Se não há respostas para nós que estamos “à deriva por este século como se fosse o último”, as epígrafes dos textos – a maioria citações da literatura brasileira – podem ser uma das tantas chaves interpretativas destes Dias úteis. A começar pela referência à máquina do mundo de Drummond, que abre o Prefácio fora de jogo, texto que, embora se diga prefácio, é mais uma construção fantástica e inclassificável. É uma performance textual que nos tira do lugar de leitores de prefácios e nos põe diante de um jogo que pode ser tudo, que pode ser a qualquer momento, que pode ser decisivo e, no entanto, talvez não nos apercebamos dele. Talvez o joguemos sem jogar e, como lemos em Drummond, assim repelimos a máquina do mundo que se abre diante de nós a cada vez que o jogo recomeça.Serão esses os dias úteis de Patrícia Portela? Dias em que seguimos, com Drummond, “vagarosos, de mãos pensas”? Segundas-feiras lutando contra insônias; terças-feiras nos autoboicotando usando o ideal para evitar o possível; quartas-feiras em que nos desmanchamos diante da imobilidade e de palavras por dizer; quintas-feiras que são verdadeiras migrações ou epopeias ao redor de nós mesmos; sextas-feiras em que o planeta nos lembra que é “uma coisa sem sentido que ambiciona acompanhar-te”; ou sábados com uma dor que não passa e “escuridão suficiente para nós”?Ou talvez estes dias úteis aqui sejam máquinas do mundo se entreabrindo. Para não repelir seus “absurdos originais e seus enigmais”, o negócio é ler e viver um a um.Reginaldo Pujol Filho

Dados

Título: Dias Uteis

ISBN: 9788583181255

Idioma: Português

Encadernação: Brochura

Formato: 13 x 18,8 x 0,8

Páginas: 96

Ano copyright: 2017

Coleção: Gira

Ano de edição: 2019

Edição:

Participantes

Autor: Patricia Portela