Passaportes falsos

Autor: Charles Plisnier
Editora: E-Primatur

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Sinopse

Passaportes Falsos teve a sua primeira edição em França, publicada pelas Éditions Corrêa, em Junho de 1937. A 2 de Dezembro de 1937, depois de um êxito surpreendente, é-lhe atribuído o Goncourt - o primeiro para um escritor não-francês.Em Portugal, a Editorial Progresso, editora com afinidades de esquerda, adquire os direitos ainda em 1937 iniciando um rápido processo de tradução para que a obra fosse publicada e distribuída antes de a sua fama poder chegar aos ouvidos dos censores. O surpreendente prémio Goncourt, inesperadamente atribuído pela primeira vez a um autor sem nacionalidade francesa, estraga os planos; o romance é falado na imprensa e, em Dezembro de 1937, esgota em França e é feita uma segunda tiragem massiva que toma conta dos escaparates. Em Portugal, nos primeiros meses de 1938, a PVDE (antecessora da PIDE) faz, nos primeiros dias de Abril, uma visita surpresa à Tipografia da Seara Nova, sita na Calçada do Tijolo, em Lisboa, certamente informada por algum delator, e apreende os livros a meio do processo de impressão, destruindo as chapas e multando a tipografia. Os exemplares apreendidos são levados aos censores e, no dia 15 desse mesmo mês, é oficialmente comunicado que se trata de um livro proibido. Em França a obra continua a vender, com novas tiragens publicadas em 1938 e 1939. Em 1940 dá-se a ocupação nazi e, poucos meses depois, é anunciada a primeira versão da famosa liste Otto. Passaportes Falsos integra-a, mantendo-se nela até ao fim da ocupação.Passaportes Falsos (1937), de Charles Plisnier, é um romance constituído por uma série de narrativas interligadas que exploram o destino de militantes revolucionários comunistas na Europa entre-guerras. Inspirando-se em acontecimentos e personagens reais do movimento comunista internacional, Plisnier - ele próprio um antigo militante - constrói um fresco moral e político sobre a crise de consciência de vários revolucionários confrontados com a disciplina do partido, a violência revolucionária e a manipulação ideológica. A obra recebeu o Prémio Goncourt em 1937 - sendo Plisnier o primeiro autor não francês a obtê-lo - e o seu nome chegou a ser proposto duas vezes para o Prémio Nobel da Literatura.Os episódios que compõem o livro seguem diferentes personagens - conspiradores, agentes clandestinos, intelectuais e militantes - que atravessam fronteiras com identidades falsas, vivendo sob permanente suspeita e risco. À medida que os acontecimentos se desenrolam, torna-se claro que a ameaça mais profunda não provém apenas da polícia ou dos inimigos políticos, mas do próprio aparelho do partido, onde a desconfiança, as purgas e as acusações de traição se multiplicam. Cada narrativa revela assim o conflito entre a fidelidade ao ideal revolucionário e o choque com a realidade brutal das estruturas políticas que afirmam defendê-lo.Mais do que um romance de intriga política, Passaportes Falsos é uma reflexão trágica sobre a consciência moral e o fanatismo ideológico. Plisnier examina o drama íntimo de homens e mulheres que, em nome de um ideal de justiça social, aceitam ou testemunham actos de violência, mentira e delação.O livro combina intensidade psicológica, análise política e um tom quase confessional, revelando a progressiva desilusão do autor perante os mecanismos do totalitarismo revolucionário e afirmando-se como um dos primeiros grandes testemunhos literários europeus sobre a degeneração do ideal comunista nas décadas de 20 e 30 do século XX, não deixando de lado as referências à ascensão dos fascismos quase em paralelo com os extremismos de esquerda.

Dados

Título: Passaportes Falsos

ISBN: 9789899328549

Idioma: Português (PT)

Encadernação: Brochura

Ano de edição: 2026

Edição:

Participantes

Autor: Charles Plisnier