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Entre o rigor do conceito e o risco da linguagem, este livro percorre um território em que a poesia não ilustra a teoria, nem a psicanálise explica o poema: ambas se atravessam. Ao tomar o real — tal como formulado por Jacques Lacan — como ponto de inflexão, José Eduardo Barros constrói uma leitura em que o poema surge como experiência-limite, lugar em que a linguagem vacila, tropeça e, ainda assim, insiste.A partilha do tempo se organiza como uma travessia. Nela, autores como Francis Ponge, Jean-Marie Gleize e Christian Prigent são convocados não como exemplos, mas como operadores de pensamento. Seus textos tensionam a escrita até o ponto em que o sentido já não se sustenta plenamente, abrindo espaço para aquilo que escapa — o que não se deixa dizer, mas se faz sentir na materialidade da língua, no ritmo, na falha, no corte. É nesse ponto que a psicanálise encontra a poesia: não como método de leitura, mas como campo de escuta. Se, para Sigmund Freud, os poetas chegam antes, é porque sabem algo desse tempo outro — um tempo não linear, feito de retornos, lapsos e irrupções. O livro explora justamente essa partilha: entre o tempo do inconsciente e o tempo do poema, entre o dizer e o que resiste ao dizer.Sem ceder à tentação de explicar a poesia, José Eduardo Barros aposta na potência de uma escrita que se aproxima do seu objeto, deixando-se afetar por ele. O resultado é um ensaio que pensa com os poemas e a partir deles, abrindo ao leitor uma experiência crítica que é, ao mesmo tempo, intelectual e sensível — uma forma de escutar o que, na linguagem, insiste em permanecer aberto.
Título: A Partilha Do Tempo: Poesia E Psicanálise
ISBN: 9786597581207
Idioma: Português
Encadernação: Brochura
Formato: 15,5 x 23
Páginas: 168
Ano copyright:
Coleção:
Ano de edição: 2026
Edição: 1ª
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Autor: Jose Eduardo Barros