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OBJETO
DE DESEJO
A Arca de Noémia é o romance póstumo e inacabado de Álvaro Laborinho Lúcio. Nele reencontramos Otília, personagem apaixonada de O Homem Que Escrevia Azulejos (e de As Afinidades Electivas de Goethe), deambulando nos corredores e stands da Feira do Livro de Frankfurt. Detém-se em alguns clássicos alemães, folheia-os distraidamente, mais concentrada nos seus pensamentos: quem é e o que sabe sobre si?
É Otília, filha de Carlota e Eduardo, neta apaixonada de João Francisco Corelli que, como ela, é personagem do romance de um autor desconhecido? Ou Otília, apaixonada por Eduardo, marido de Carlota, no romance de Goethe? Uma delas, nenhuma, uma desconhecida qualquer? Nesse ano, o «livro quente da feira» é a nova edição do Diário de Otília. Com ela, voltaremos ao Abrigo de Santa Dimphna, onde perdera o avô, e nós a perdemos de vista. Aí, é recebida por um tagarela e zombeteiro William Shakespeare, que palra sobre a casa, os mecanismos da literatura e do teatro, o seu interesse em pintura – e sobre a Arca de Noé, cuja versão de António Vieira, esse mesmo, «o Padre António», lhe contara a contragosto.
Os dois hóspedes mais antigos partilham a casa com outros imortais: Sigmund Freud, Raskólnikov, um dos irmãos Karamázov (Ivan), Katharina Blum, Emma Bovary, Heathcliff e Mrs. Dalloway (sempre a convidar toda a gente para a sua famosa festa), escritores e personagens fugidos das obras que lhes deram vida e glória. É aqui que surge a bela e discreta Noémia, a nova diretora do Abrigo (casa de repouso? Um centro de reabilitação?) por quem William Shakespeare está apaixonado. E o romance recomeça.
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