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OBJETO
DE DESEJO
Cumprindo todos os códigos do caótico universo dos adolescentes, Daniel, 14 anos, estudar por obrigação, só quer andar de skate e fazer exercícios na barra de ferro instalada na porta do seu quarto. Em alguns momentos é medroso, displicente, implicante, em outros, torna-se doce, abusado, arrogante e absolutamente convencido de que sabe tudo e é capaz de resolver todos os problemas do mundo. No meio desse redemoinho tem a família, a escola, as relações conflituosas de amor e ódio. Em casa, o relacionamento é até tranqüilo. A irmã, Elisinha, por exemplo, tirando a mania de ficar no banheiro durante horas só para esticar o cabelo, é gente boa. Com o pai e a mãe rola uma energia bacana. Mas em se tratando da tia Celeste, a Celestosaura, e do primo Vítor, o frutinha, aí o bicho pega feio.
Faz o tipo popular também, o preferido da turma, e, desde pequeno, atende pelo apelido de Dani-boy, por causa de um seriado americano que a família adora. Depois da promessa de ganhar dos pais uma viagem para os Estados Unidos, o jovem consegue ficar ainda mais insuportável. Controla as despesas da família, implica com a irmã, enrola na escola. Mas nada, nada mesmo lhe dá tanto prazer quanto pegar no pé da tia e do primo, sua dupla preferida de vítimas.
Os dias de Daniel e dos personagens que o rodeiam no universo criado por Alberto Alecrim podem fazer parte da rotina de qualquer família. Humor e ironia são as molas mestras da narrativa. Mas existe também a sutileza de conseguir transmitir duas grandes lições para quem vive o início de um rito de passagem tão importante. E assim, ao lado de Dani-boy, os leitores podem refletir sobre as diferenças e que ninguém tem o direito de determinar o que outra pessoa deve ser, pensar ou sentir.
Esse é o livro de estréia de Alberto Alecrim e tem, segundo ele, a pretensão de fazer a conexão entre o sonho da infância e a vida real, tudo com uma linguagem ágil e direta.
Sobre o ilustrador
Wark sempre se relacionou muito bem com tintas, pincéis, lápis coloridos e papéis. Em 1999, um curso de grafite na Comunidade da Rocinha (RJ) mudou completamente a vida do rapaz. Hoje, aos 20 anos, ele é um dos principais grafiteiros da cidade e ensina crianças carentes em projetos que encantaram o artista Gabriel, o Pensador e o grupo GBCR.