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OBJETO
DE DESEJO
O livro de poemas, A arte de matar, de Salgado Maranhão, aborda contratações humanas ancestrais, desde alguns personagens bíblicos, a grandes líderes da história de ontem e de hoje, em que, obstáculos pessoais e de Estado, costumam ter a morte do Outro como solução.
O leitor, aqui, perceberá, de modo sutil, que, apesar do enorme progresso humanístico e tecnológico alcançado, algo primitivo e cruel ainda persiste em nós, lembrando-nos que somos, em última instância, um produto inacabado.
Tal reflexão se expressa ao nível simbólico e nunca na objetividade histórica, posto que a poesia não se propõe a transmitir informações, mas, experiência estética vivenciada.
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Pó
Com o fito de instruir um paraíso
hedônico – ou mesmo um cais, um piso
insano de valores sem valor –,
foi se instalando a religião do pó:
fortunas se havendo ao se desaver,
numa luxúria cheirando a cadáver.
(Assim, o abismo sendo o próprio templo
de tudo que não deve ser exemplo
em quaisquer medelins ou sinaloas,
onde se morre, tontamente, à toa,
a morte financiada pelos gringos:
qual a roleta de um cassino ou bingo).
Pra que se pague ou cumpra “o aqui se faz...”:
“Do pó vieste e ao pó tu voltarás”.
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