A PAIXÃO DA AUSÊNCIA: UMA LEITURA DE O...BESSA-LUÍS
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UMA LEITURA «HETERONÍMICA» DO ROMANCE EM QUE AGUSTINA BESSA-LUÍS PERSCRUTOU A RELAÇÃO DE TEIXEIRA DE PASCOAES E FERNANDO PESSOA
Publicado em 1958, O Susto continua a ser um romance de Agustina Bessa-Luís pouco lido e estudado. Nele, a escritora narra a relação de José Midões (Teixeira de Pascoaes feito ficção) com Álvaro Carmo (personagem que é Fernando Pessoa), pondo em evidência a importância do primeiro na criação poética do segundo. A confiar no criador dos heterónimos:
«Talvez Caeiro proceda de Pascoaes; mas procede por oposição, por reacção. Pascoaes virado do avesso, sem o tirar do lugar onde está, dá isto — Alberto Caeiro.»
A Paixão da Ausência é sobre esse diálogo a três: o que a autora faz no romance é a descrição ficcionada da relação entre dois dos maiores criadores da literatura portuguesa, a que se junta Agustina Bessa-Luís, nome de escritora de raça.
«Coube a José Vieira pôr na boca de Agustina esta coisa elementar e assombrosa: ‘Pascoaes sou eu.’ São apenas três palavras, mas que significam uma revolução na leitura crítica deste romance. Foram precisos quase 70 anos para se chegar a esta fórmula límpida e concisa.» — ANTÓNIO CÂNDIDO FRANCO, Prefácio
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