Com muita coragem e sinceridade, Barbara conta seus muitos anos de vício em álcool. Sem se poupar e nem poupar ninguém, ela narra episódios em que, consumida pela bebida, deu escândalos, baixarias (envolvendo gente famosa, todas no livro), colocou a vida em risco e machucou as pessoas que ama. Analisa como a insegurança e a super proteção da família colaborou para o vício mas, em todos os momentos, não culpa ninguém, só a si própria. Lembra as várias tentativas de largar a bebida e conta como, finalmente, conseguiu atingir a sobriedade. Triste e divertido, inspirador e comovente. “Há pessoas cujas vidas imploram para ser escritas. O problema é que, para que isso aconteça, essa pessoa precisa estar viva. E Barbara Gancia preferia flertar com a morte, a bordo de copos e mais copos e ao volante de carros suicidas.
Em sua fase esbórnia, Barbara viveu vários filmes de ação, cheios de alçapões invisíveis, quedas no abismo e ataques de ratos. Mas nenhum tão emocionante quanto sua luta pela sobriedade.
Um dia, finalmente, depois de muitas recaídas, Barbara conseguiu parar a História. O resultado é “A saideira”, um livro que só ela poderia ter escrito. E cuja leitura encerra lições para todos nós que, tantas vezes, achamos que os prazeres que a vida nos oferecia estavam sendo dados de graça.”
Ruy Castro
“Pegue o roteiro musical que Barbara Gancia sugere no fim deste livro, componha uma playlist, instale os fones e comece a ler. Você verá como as saideiras foram em demasia, como as vergonhas não foram poucas e como, merecidamente, a sorte bafeja uma vida. A saga começa com Rebel Rebel, do David Bowie, e termina com Só por Hoje, da Legião Urbana. Embalado pelos acordes das canções e pelos compassos de uma pena leve, coloquial, irritantemente verdadeira, redundante quando necessário e monumentalmente didática, você não vai conseguir parar de ler.
Alcoólatras em abstenção encontrarão força para dominar uma doença incurável, progressiva e fatal. Futuros alcoólatras pisarão em ponte segura para não se animar a cair de boca na sarjeta. E todos os outros conhecerão o lado negro da força. Barbara lacrou! Ela explica bem como dominou sua vida caótica e surge toda radiante em nova plataforma, o livro, depois de ter dominado revistas, jornais, televisão e internet. Revela-se uma aristocrata, de fato e de espírito, daquelas capazes de se abrir totalmente tanto nos grandes sucessos como nos enormes fracassos. Conta como o permanente combate ao alcoolismo se impõe quando há mais que vontade: há resiliência. Levou tempo, produziu constrangimentos, tristeza, risadas para todos os lados – mas Barbara venceu. Até aqui e não só por hoje. Sóbria, Barbara Gancia continua uma festa. “
Caio Túlio Costa