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OBJETO
DE DESEJO
A última coisa que os personagens querem ouvir é a expressão comum à abertura dos dez contos na obra cujo nome, não por acaso, é A última coisa. As histórias começam pelo prenúncio do clímax, linha que costura todos os contos do livro. Dada a condição, o marido vingativo, a ladra obsessiva, o escritor sem inspiração e a nada inocente menina no parquinho têm índole e personalidade revelados à luz do momento que mudará suas vidas.
Ao leitor resta apenas se entregar à narrativa fluida desse recorte, desvendar suas lacunas e chegar ao fim do relato estonteado com a última coisa. “Gosto de tirar o chão das pessoas no final, quando acontece algo para o qual elas não estavam minimamente preparadas”, confessa Elisabetsky. Para Braúlio Mantovani, roteirista de Cidade de Deus, A última coisa revela o avesso do banal por meio de um estilo “límpido, preciso e fulminante” e pode ser “fatal como um golpe de caratê”.
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