ALEIJADINHO: HOMEM BARROCO, ARTISTA BRASILEIRO
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OBJETO
DE DESEJO
Quem foi e como viveu o homem que ficou conhecido como Aleijadinho, o artista maior do barroco brasileiro? Por que recebeu este apelido? Era mesmo deficiente? Sob que condições realizou sua obra? Apoiou a Inconfidência Mineira? Foi maçom? Casou-se? Deixou descendentes? Este livro convida os leitores a descobrir as respostas viajando através da história, da arte e da da cultura brasileiras.
Além de artista excepcional, Antônio Francisco Lisboa, conhecido como Aleijadinho, foi um homem de seu tempo e lugar: a Minas Gerais do século XVIII, centro da economia e da cultura do ouro, época do florescimento da arte barroca no Brasil e do surgimento das idéias que fundamentaram os conceitos de independência, nação, brasilidade.
Estes conceitos nasceram e se desenvolveram atravessados por duas grandes questões: a escravidão e a mestiçagem. Sua difusão por meio de publicações, currículos escolares, imprensa, meios audiovisuais etc. fez com que determinadas visões dessas questões se popularizassem e fossem aceitas como verdades.
Sob estas perspectivas, o Aleijadinho, filho de uma ex-escrava com um afamado arquiteto português, é invariavelmente retratado como um homem feio, doente, deformado, triste, angustiado, uma tradução dos atormentados gênios descritos pela literatura romântica européia. Ou como um mestiço que, pelo talento individual, conseguiu “superar” sua origem.
A consideração da originalidade de sua obra, que se deve sobretudo aos intelectuais e artistas modernistas do século XX, serviu para dar visibilidade e dignidade ao barroco brasileiro, mas não para desfazer os mitos e lendas. Ao contrário, reforçou-os em muitos aspectos.
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