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OBJETO
DE DESEJO
"A poesia é de todos, está dentro de cada um e são os deuses que a sopram. A poesia não pertence ao poeta, que é apenas o instrumento que ela usa para permanentemente ser reativada no mundo." Convencido disso, no começo da década de 70 Leonardo Fróes desligou-se dos barulhos urbanos e de um bom emprego de diretor de editora para tentar se afinar como instrumento de poesia na solidão da Serra dos Órgãos. Vivendo desde então em Petrópolis — após uma formação cosmopolita entre o Rio, Paris e Nova York —, construiu uma obra original e sólida, admirada por poetas de todas as gerações e tendências, de Moacyr Félix e Arnaldo Antunes.
Em Argumentos invisíveis, Leonardo Fróes reúne em sintéticas oitenta páginas toda sua produção de cerca de dez anos. Apresentado por José Thomaz Brum, professor de Estética na PUC do Rio, e prefaciado por Ivan Junqueira, ganhador do Jabuti de poesia, o livro surpreende pela variedade das técnicas e formas que o autor utiliza: vai da prosa poética mais vanguardista e sem pontuação às redondilhas medidas e rimadas. Ao lirismo de poemas como "O apanhador no campo", onde o poeta colhe uma fruta para a amada que o espera sob a árvore, contrapõe-se a sátira rasgada de "A possessão evangélica", onde de um décimo andar na Rio Branco ele assiste a uma passeata-monstro de crentes.
Com Argumentos invisíveis, segundo Ivan Junqueira, Leonardo Fróes cria um gênero novo de poesia - o "poema em fábula". De fato, cada texto ou, como prefere dizer o autor, cada "fragmento", seja em verso ou em prosa, sempre contém uma estrutura narrativa que frequentemente é arrematada por doses de moralidade prática. Assim, ao chegar ao topo da escalada, em "Introdução à arte das montanhas", em que resume sua experiência como montanhista em Petrópolis, o poeta constata, tendo reconhecido seus limites e saboreado a liberdade mais plena, "que agora tem de aprender a descer".
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