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OBJETO
DE DESEJO
A mais antiga das grandes mostras internacionais de arte, a 54. Esposizione Internazionale d’Arte – la Biennale di Venezia oferece, a cada dois anos, uma grande exposição coletiva e dezenas de pavilhões nacionais. O pavilhão do Brasil, por sua vez, construído em 1964 no espaço mais prestigiado do evento italiano, os Giardini, é o lugar onde o próprio país escolhe e expõe artistas que a cada nova edição o representam.
Desde 1995, a responsabilidade por essa escolha foi outorgada pelo governo Brasileiro à Bienal de São Paulo, reconhecimento da grande importância da instituição – a segunda mais longeva no gênero em todo o mundo – para as artes visuais do país. Para realizar a curadoria do pavilhão brasileiro na 54ª edição da Esposizione Internazionale d’Arte, a Fundação Bienal de São Paulo convidou Agnaldo Farias e Moacir dos Anjos, responsáveis pela 29ª Bienal de São Paulo. E o artista escolhido pelos curadores para ocupar o pavilhão brasileiro é Artur Barrio.
Nascido em Portugal em 1945 e vivendo no Brasil desde os dez anos de idade, Artur Barrio tece, a partir do final da década de 1960, uma das mais originais obras no campo experimental da arte contemporânea brasileira. Uma obra que desafia os limites arbitrários a que a arte é comumente confinada e que escapa a catalogações fáceis. Embora Artur Barrio trabalhe com técnicas e procedimentos os mais variados, o núcleo conceitual de sua trajetória são as Situações que cria em ambientes diversos, nas quais corpos e coisas postos em movimento modificam, de modo efêmero, um lugar e um instante. Em uma das Situações mais conhecidas, realizada durante a ditadura militar brasileira, Artur Barrio depositou trouxas ensanguentadas próximas a um córrego na cidade de Belo Horizonte, confundindo por algum tempo passantes e polícia e evocando o estado de exceção então vivido no país.
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