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OBJETO
DE DESEJO
No extremo oposto ao novo filme de Ruy Guerra, Aos Pedaços (In Pieces) – que mostra de modo alegórico o protagonista em crise paranoica com mulheres autônomas e livres, num impasse diante da emancipação feminina crescente por efeito das políticas feministas –, o livro de Álvaro Miranda, Cartas do amor sem juízo, cria um lugar ambíguo porque instalado no reino flutuante das palavras, e insiste numa atmosfera que move o signatário a escrever cartas a partir de memórias sensuais, sexuais e sentimentais que envolvem a interação. O signatário das cartas tem plena consciência da interação planejada, porque faz parte mesmo da estrutura de uma carta atingir um destinatário, ainda que errático e silencioso, em sua contrapartida de uma correspondência almejada. Na multiplicidade imaginária do rosto das interlocutoras, o destinatário é sempre uma parceira hetero-cis. No tecer das missivas, a escrita das cartas vai consolidando um topos utópico para o qual se dirigem os gestos e as recordações. Todo o movimento da argumentação baseia-se no pressuposto de que os amores serão sempre amáveis. E com essa disposição de ânimo o signatário discorre sobre suas experiências e espera ter configurado a autenticidade de um testemunho. Cabe ao leitor ponderar sobre os meandros em que se expõe o ser amoroso das cartas. Constatar e talvez trazer para si o que de melhor as imagens comunicam.
[Luiz Fernando Medeiros]
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