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OBJETO
DE DESEJO
Douglas Hayashi, um tira com sotaque interiorano e preferências sexuais esdrúxulas, perpassa seus casos do DHPP entre bordéis e jogos de damas com seu amigo Ruy Levino, um ex publicitário dono de um café metido a chique no Itaim. No entanto, quando o cerco aperta para o lado de Hayashi, e ele precisa provar eficiência para livrar sua cara no departamento, é ao velho amigo Ruy que ele recorre para resolver uma série de homicídios violentos.
No livro Damas turcas, de Carlos Castelo, que a Global Editora acaba de publicar na coleção “Estante Policiais Paulistanos”, o leitor será conduzido à cena do primeiro crime pelo olhar e considerações de Preto, um poodle gigante adotado por Hayashi: o DJ e ativista negro Zullu é brutalmente assassinado. Depois, será a vez de Maria do Amparo, vocalista da banda nordestina Mel de Tiúba. A partir do crime seguinte – todos com métodos de tortura e a inscrição de frases enigmáticas com o sangue das vítimas –, em busca dos envolvidos, Ruy Levino vai tentar montar seu quebra-cabeças, os “Crimes Pop”, “como se tivesse terminado uma partida de damas e fosse pegando as peças e colocando-as, uma a uma, em suas casas”.
No ritmo ágil da escrita de Carlos Castelo – pontuada por frases curtas e diálogos bem humorados – bom de se ver é um cenário repleto de marcas da paulistânia contemporânea: ruas como Teodoro Sampaio, Oscar Freire, Tabapuã, o Elevado Costa e Silva, uma perseguição policial pelo bairro de Pinheiros. O melhor de tudo, além da galeria de tipos marcantes é ver a São Paulo esgrafiada – num janeiro eternamente chuvoso – que arrasta o leitor no turbilhão do horror e da ação, e ao mesmo tempo tem seus falsos interstícios de calmaria, em que o policial caipira tem a seus pés seu dócil poodle, ou se estende na cama com adoráveis prostitutas.
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