DE CADA AMOR TU HERDARAS SO O CINISMO
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OBJETO
DE DESEJO
A madrugada quente do Rio foi o ponto de partida do sonho. O cenário: show histórico da banda de rock R.E.M. Michael Stipe cantava uma música sobre o fim do mundo quando Dino e Adelaide cruzam olhares no meio da multidão. Ele, um decadente publicitário de 46 anos, ela, a jovem e irresistível estagiária da agência de publicidade. Apesar de pertencerem a gerações diferentes, o encontro não parecia ser tão ruim, aliás parecia absolutamente sensacional, se o homem e a menina queriam, aparentemente, a mesma coisa.
O que no início era um caso tórrido e arrebatador, lentamente se transforma numa melancólica história de amor. De cada amor tu herdarás só o cinismo começa e termina num show de rock. São 15 semanas de amor embaladas pela trilha sonora da geração de Dino – Neil Young, Pink Floyd, Joy Division –, que conduzem o leitor pelos bares e restaurantes da boemia carioca.
Homem-feito, filhos na faculdade, Dino vivia um casamento morno e sem musicalidade até encontrar Adelaide – linda, ruiva, e livre – e voltar a sentir a excitação do rock’n’roll perdido. Apaixonado, ele acreditou que poderia dar certo. Talvez porque ela fosse jovem, porque não tivesse pressa, porque tivesse fome de viver. O fato é que, inebriado pelos encantos de Adelaide, nosso herói esqueceu que nem tudo é o que parece, que o mundo é um moinho e que em pouco tempo não seria mais o que é.
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