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Literatura-filosofia sobre nós e os nossos
Maria Salet Ferreira Novellino
Emoção da primeira à última página, em um texto tão bem escrito, tão revelador, tão profundo. Itamar é um escritor-filósofo, descreve com maestria nossas vidas, nossos fatos e nossos sentimentos.
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Contos de Alta Qualidade
Alcir Santos de Oliveira
Pelo visto o baiano Itamar Vieira Júnior, veio para ficar na lista de grandes escritores brasileiros. E olha que andávamos precisados, carentes de autores capazes de alinhar a qualidade do texto com relatos interessantes tendo como foco a realidade -- que parece imutável -- de grandes parcelas da população brasileira, quase sempre submetidas a terríveis condições de vida, sob a persistente indiferença dos que ocupam os andares mais acima.
Embora alguns contos no leitor a sensação de que falta alguma coisa, outros se destacam e podem, tranquilamente, ocupar espaço entre os melhores já escritos no Brasil. É o caso, por exemplo, de "Alma" onde, com rara sensibilidade, narra, na primeira pessoa, a fuga de uma escrava que vai se internando no mato, fugindo sempre de seus algozes até se fixar, num lugar bem distante, onde se instala e planta o embrião do que viria a ser uma comunidade, uma espécie de quilombo. Com segurança e sensibilidade, o autor conduz o leitor pelos caminhos da protagonista, tomada por uma mistura de medo, dor e esperança.
Um outro conto que pode fazer parte de qualquer antologia dos melhores já feitos no Brasil, é o "Manto da Apresentação" onde, simultaneamente, faz pesada crítica ao sistema, então vigente, de manter os doentes mentais em sanatórios/hospícios em condições sub-humanas e, em paralelo, vai contando como Arthur Bispo do Rosário produziu a sua obra artística, usando como linha os fios da roupas que ele desfazia. Aí Itamar desborda porque faz uma espécie de elegia, de rara sensibilidade e com um lirismo bem marcado.
Bem, esses foram os contos que me impressionaram de verdade. Isso não quer dizer que os outros não são bons. Não mesmo. A maioria são histórias bem escritas, sempre com o forte cunho social que é uma espécie de marca do autor, desde que publicou o excelente Torto Arado. "Meu Mar (Fé)", por exemplo contagia pela incrível persistência da protagonista em manter a fé, na expectativa do reencontro do homem amado tragado pelo oceano profundo. Em "O Espírito 'aboni' das Coisas", onde os personagens são índios em luta desesperada para não cair nas garras do colonizador, transita pelo surreal com a intervenção de divindades da Natureza na senda de um homem em desespero na busca pelas ervas que evitarão a morte da companheira.
Dessa forma, Doramar ou a Odisseia é um livro de contos digno de ser lido e apreciado.
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