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OBJETO
DE DESEJO
"Duas nazarenas dançam, unidas pelo ventre, como se fossem gémeas siamesas. Estão vestidas de igual, com aventais de rendas e blusas festivas. Um rapaz com saiote e asas de anjo olha, comunicando com o mar. Um rosto de diabo espreita entre a multidão. Quatro homens tapados com capas negras, das que usam as peixeiras, representam numa cegada. Uma banda de música toca a marcha de um dos bailes. Os seus membros estão todos embriagados. Um par de namorados abraça-se junto a uma fogueira. Um homem de saia e de barrete, sentado numa cervejaria, curte uma bebedeira em silêncio.
São cenas do Entrudo na Nazaré, de pessoas que vivem o Carnaval de um modo singular, exprimindo nesses dias de folia o sentir de coisas profundas que lhes vai na alma. É uma memória recente que reconvoca algo vivido e muita vez contado pelos mais velhos.
[…]
Esta loucura carnavalesca tem o seu início no dia de São Brás, a 3 de Fevereiro. Trata-se de uma festa totalmente pagã, dionisíaca, sem padres, nem missas, com fogueiras, danças, enchidos e vinho tinto. É o diabo que se solta. Rapazes e raparigas, ensaiados (mascarados) cada um a seu modo, qual deles o mais trapalhão, dançam em volta do Monte de São Brás, situado a alguma distância da vila. Cantam, saltam à fogueira, sobem ao Monte Siano para uma visita à capela e ao santo, beijam-se e prometem amores clandestinos entre si, preparando-se para as grandes noites de Carnaval. Esta cadeia de festividades só pára quando o Santo Entrudo é queimado a corpo inteiro na areia da praia, na quarta-feira de cinzas." (Jaime Rocha)
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