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OBJETO
DE DESEJO
Os historiadores mais puristas dirão que a História Oral peca pelo subjetivismo. Talvez eles prefiram as fontes primárias dos arquivos oficiais. E, então, o que seria da verdadeira história brasileira dos anos 1960/1970 não fossem os depoimentos de suas testemunhas isentas? E do período do Estado Novo de Getúlio Vargas, diligentemente supervisionado pelo DIP – Departamento de Informação e Propaganda –, não fossem os registros dos que sobrevieram aos seus grilhões?
O maniqueísmo do descarte puro e simples de fontes históricas em nada contribui para a construção da memória coletiva. Os registros da História Oral, concordemos, devem acompanhar os registros dos arquivos oficiais; dos acervos iconográficos. A afetividade que caracteriza a História Oral é parte, assim, do conjunto de fontes que nos permite entender um período, interpretar seus contemporâneos porque, deles, recebemos as informações. Inclusive – e sobretudo – dos conceitos éticos sob os quais a sociedade da época se geria.
Para os que, jornalistas como nós, têm a consciência de que a informação não nos pertence, mas é patrimônio da sociedade que as fornece e nos permite processá-las para devolver-lhe por inteiro, este Entrevistas de Domingo é muito especial. Por ocasião do cinqüentenário de fundação de O Diário de Mogi, é a certeza de que a temporariedade de nosso trabalho não se perderá nos escaninhos da lembrança esquecida. – Chico Ornelas & Darwin Valente (editores)
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