EXTRAVIOS DO DESEJO: DEPRESSÃO E MELANCOLIA
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OBJETO
DE DESEJO
Em Extravios do desejo, a depressão é apresentada como um dos grandes sintomas do mal-estar contemporâneo, intensificado pelo discurso capitalista, que impõe a obrigação de ser feliz e produtivo. Desde Freud, aprendemos que a depressão não é uma doença, mas um estado semelhante ao luto em que houve uma perda que desencadeia todo um trabalho psíquico com seu tempo de elaboração até o reinvestimento libidinal do mundo e o redespertar dos interesses da vida. Assim, a dita “depressão” é um estado que tem começo, meio e fim. No estado depressivo, o sujeito entra em contato com a falta estrutural e sua concomitante “dor de existir”, ligada à castração simbólica. Em termos subjetivos, ele também pode ser considerado como um “extravio do desejo”, na medida em que o sujeito está distanciado e desorientado em relação àquilo que o move, o desejo inconsciente.
A melancolia é distinguida da depressão comum. Para a psicanálise, ela é uma das formas da psicose, marcada pela identificação imediata do sujeito com o objeto perdido. A melancolia deixa a céu aberto a “dor de existir” de forma radical, pois o sujeito se identifica com o objeto a, excluído do simbólico, em sua versão de dejeto.
A psiquiatria clássica detectou a alternância entre mania e melancolia — a “loucura circular” (psicose maníaco-depressiva). Freud a interpreta como dois polos do sujeito que denotam sua relação com a perda: identificação e negação. Neste livro, deixamos a clínica falar por si mesma, através do que os psicanalistas escutam no divã em uma clínica extraída da prática com pacientes depressivos e melancólicos. Essa clínica que se inicia na psiquiatria clássica, bem anterior aos dsm e cid (que a reduziram a um transtorno), deu os subsídios para o desenvolvimento teórico de Freud sobre os estados depressivos e suas relações com a subjetividade e as intercorrências de perdas e lutos na história de cada sujeito.
A melancolia é também tema clássico da filosofia e da arte, desde Aristóteles. Ela é associada à genialidade, à fonte de criação e à sensibilidade aguçada. Florbela Espanca, por exemplo, expressa em sua poesia a dor de ser mulher e a busca por um sentido para a existência. Por outro lado, Lacan se apoia em Espinoza e sua ética do desejo (conatus) para abordar a tristeza — presente nos estados depressivos e na melancolia — como a expressão de uma “covardia moral”, pois nela o sujeito está extraviado em relação a seu desejo.
Vários textos desse livro criticam a tendência atual de transformar a tristeza em “doença” promovendo a medicalização como resposta rápida e supostamente eficaz. Para a psicanálise, o caminho é atravessar a dor, elaborar a perda por meio do “trabalho de luto”, ou seja, reconhecer a falta e o desejo como constitutivos da condição humana.
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