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OBJETO
DE DESEJO
"Ferrugem inicia-se com a descrição aparente de um procedimento: “serrar ossos com um faca de cozinha”. Parte de uma imagem-matéria-metáfora. Abrem-se os ossos, disseca-se a corrosão da matéria no corpo. Corrosão que é o próprio corpo. Que é existir e roçar o vazio: “dentro é o deserto”.
A artista-poeta nos dá o rastro, a borra, o escoamento seco-molhado-vazio-oco-borra de imagens e palavras que ocupam o entre. Ocupam na sua condição de vestígio. Dá pra pegar? A mancha na parede? As marcas identitárias conservadas nos dentes? Dá pra pegar quando morre? O que foi aquela vida?"
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