FORMAÇAO POLITICA DO AGRO-NEGOCIO
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OBJETO
DE DESEJO
Graças ao livro de Caio Pompeia, temos agora uma história da gênese das instituições, das associações e dos protagonistas do agronegócio no Brasil. É um guia precioso de percursos, programas e atuações de um campo político heterogêneo e continuamente em mudança.
— Manuela Carneiro da Cunha, no Prefácio
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Este livro examina a constituição e a consolidação do campo político do agronegócio no Brasil. Com perspectiva ampla, a pesquisa parte das raízes da ideia de agribusiness e chega aos aspectos socioambientais que amplificam divergências nessa arena intersetorial. A análise tem três camadas principais, inter-relacionadas no trabalho: líderes e instituições; programas; e relações com o Estado.
Em relação à primeira, enfatizam-se as variadas engenharias institucionais que resultaram em núcleos como Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Rural Brasil, Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Cosag-Fiesp), Instituto Pensar Agropecuária (IPA) e Conselho do Agro.
Na segunda camada analítica, examina-se o movimento de diferenciação programática manifesto nas diversas cartas de reivindicações de cada uma das nucleações. Para isso, abordam-se questões transversais como meio ambiente, territórios de povos indígenas e populações tradicionais, política agrícola, infraestrutura e relações internacionais.
Com respeito à terceira, investigam-se as múltiplas relações de atores do campo com as cúpulas do Executivo federal. Nesse aspecto, atribui-se destaque às estratégias utilizadas por distintas representações dominantes do campo com vistas ao atendimento de pleitos e à sua inserção privilegiada no processo político nacional.
A obra se fundamenta em diálogo entre a pesquisa de doutorado homônima em Antropologia Social — realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entre os anos 2013-2018, e na Universidade de Harvard, em 2017 — e o trabalho de campo ulterior, conduzido entre 2018 e 2019, sobretudo no Instituto Pensar Agropecuária e no Congresso Nacional, mas também na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e na Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura.
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