FOTOGRAFIA E VERDADE: UMA HISTORIA DE FANTASMAS
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OBJETO
DE DESEJO
Desde o segundo quartel do século dezanove que a ideia de fixar o percebido numa imagem, e comessa fixação poder destacar elementos do observado, de outro modo insignificantes ou impossíveis de observar, condicionou toda a experiência humana. A partir daí, a realidade objectiva proporcionada pelo automatismo fotográfico estabeleceu-se como condição de sustentação de qualquer acto comunicacional, tendo o dispositivo fotográfico crescido na dimensão dos seus programas como um polvo com múltiplos tentáculos. Esta obra pretende sublinhar a forma como esse efeito objectivante da fotografia lhe permitiu impor- -se como garantia epistémica emmúltiplos dos seus campos de aplicação. Permitiu-lhe apresentar-se como testemunho, meio de verificação, prova irrefutável do acontecimento, compelindo a todo um imaginário criado em torno do “efeito de real” decorrente da imagem mecânica. No entanto, paralelamente e paradoxalmente, foi esse efeito realista e documental, bemcomo a sua natureza automática, propiciador de fantasmatizações de vária ordem, que veio permitir a utilização da fotografia como garantia epistémica de realidades fora do domínio do observável. Exemplos disso são os discursos em torno da optografia, da fotografia espírita e da fotografia de fluidos. Assim, ao longo desta obra, e usando uma metodologia diversa que combina pesquisa histórica de arquivo como estudo de fontes filosóficas e científicas, procurou desenhar-se o que se poderá chamar de arquivo fantasmático do automatismo fotográfico, já que a análise deste efeito se centrou no confronto de fontes e documentos que privilegiam essas mesmas possibilidades de transgressão do observado a partir da suposta—e garantida—verdade da fotografia. O confronto com fontes da época, material de arquivo, espólios de imagens, foi decisivo para a fundamentação do ponto de vista deste trabalho, que pretendeu explorar os aspectos mais fantasmáticos do automatismo fotográfico e colocá-los em diálogo com a cultura na qual brotaram. Finalmente, a articulação de toda a pesquisa em torno da importância atribuída às propriedades automáticas da fotografia é colocada em relação com os modos como o automatismo surge noutros campos do conhecimento e da cultura contemporânea do primeiro século da existência da fotografia, como um conceito que permite colocar discursos e práticas muito diferentes na sua ambição e objectivos numa plataforma de comensurabilidade, ou seja, de identidade conceptual.
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