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OBJETO
DE DESEJO
Hit the Road, Jack, cuja narrativa se dá em primeira pessoa, está repleto de diálogos que nos remetem a uma peça em constante devir, a despeito de ser encenada no teatro de uma pequena cidade interiorana. O narrador, um balconista introspectivo, vivencia a angústia e o tédio cotidiano de uma vida sem grandes perspectivas, no cenário de uma cidade obsoleta. A urgência em buscar uma mudança radical em sua vida insossa o leva a uma leitura muito particular do que o rodeia. É aí que surge em tapetes vermelhos Jack, a personificação da liberdade desenfreada em fazer da vida uma experiência sedutora de independência, incertezas e satisfação dos impulsos instintivos. Através do personagem de Jack, que também por ser considerado um jovem da geração beat, o balconista descreve os costumes de uma “cidade que não muda nunca”. Traça um paralelo entre os personagens monótonos e um pé de ipê, que integra a paisagem e, como os outros, nada faz para mudar. Então, é através de Jack, seu ídolo às avessas, que ele projeta um ideal de mudança a fim de quebrar a monotonia de seus dias. Dias preso a um emprego medíocre na lanchonete do lugar e na também medíocre vidinha doméstica composta pela mulher enfadonha e pelo filhinho.
Na ânsia de se igualar ao seu ídolo, acaba perdendo tudo em seu eu. A partir daí, percebe que o ídolo que ele achava desigual à cidade, não passa de um bandidozinho que esconde sua insegurança atrás de uma pseudovalentia. Assim conclui que a mudança em nossas vidas deve partir de dentro de nós mesmos e não da paisagem ao nosso redor.
Uma obra violentamente poética, num frenético dinamismo desconcertante de uma mente repleta de questionamentos, aliados à linguagem presa à ação, nos leva à imersão nas águas profundas da consciência individual do protagonista ao revelar seus limites e abismos.
Em resumo, o leitor se deparará com uma primorosa obra literária agradável e instigante.
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