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OBJETO
DE DESEJO
A morte é, tal como a vida, um leve fumo
branco que se esvai na atmosfera.
Este livro foi publicado por ocasião da exposição (Im)permanência, de Manuel Botelho, com curadoria de Filipa Oliveira,
encomendada e produzida pela Câmara Municipal de Almada, a qual teve lugar no Convento dos Capuchos, entre 9 de
Novembro de 2019 e 26 de Abril de 2020. Esta exposição foi feita em parceria com o Museu Nacional de Arte Antiga, onde
a segunda parte esteve patente entre 28 de Novembro de 2019 e 22 de Março de 2020.
As fotografias,elas também impermanentes, tentam corporificar uma ausência, torná-la presente. Sesão testemunho da
ruína, são igualmente lugar da materialização de uma presença pura e simples. São, por outro lado, sinal de algo que está
para além do material, algo espiritual, algo atemporal. Simbolizam toda a humanidade, em silêncio, cruzando os tempos.
No Convento dos Capuchos de Almada, espaço de silêncio, de meditação e do atemporal, encontraram o lugar
perfeito para virem à luz, numa feliz parceria com o Museu Nacional de Arte Antiga, que acolhe um núcleo dedicado ao
Mosteiro da Batalha. [Filipa Oliveira]
Manuel Botelho afeiçoou-se aos corpos jacentes, às arcas maciças, às tampas amovíveis, à figuração decorativa acessória esimbólica, às arquitecturas quetudo enquadram; afeiçoou-se às sombras, ao pó, às manchas de humidade, ao rendilhado da pedra, às texturas e cores; afeiçoou-se ao tempo; […]. As suas fotografias cumprem, num subjectivo sistema
de equivalência das artes, o papel da escultura tumular que registam. […] E, vendo-se morto num tempo passado que
nunca poderia ter sido seu, vê-se sobrevivo num futuro que é agora (o desta exposição) e num futuro que já não será seu
(aquele em que a perenidade da sua obra acompanhará a perenidade destas esculturas). [João Pinharanda]
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