INCONFIDÊNCIAS MINEIRAS: UMA HISTÓRIA...INCONFIDÊNCIA
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OBJETO
DE DESEJO
Muito tempo deveria passar antes que Alvarenga pudesse enviar notícias. Uma demorada travessia marítima o levaria primeiro a Luanda, em Angola, depois seguiria, por terra, até o presídio em Ambaca, no interior. Cartas vindas da África levavam três ou quatro meses para chegar, primeiro aguardando no porto uma nau, depois cruzando o Atlântico, mais uma ou duas semanas para subir a Mantiqueira até Minas Gerais. Veio, então, a tão ansiada carta de Ambaca, escrita por mãos estranhas, comunicando o falecimento do degredado, vitimado por febres tropicais, dias depois de sua chegada. O missivista narrava as palavras cruéis do comandante da fortaleza, que se havia referido ao morto como “o tal Alvarenga, que acabou de perder a única coisa que ainda lhe restava”. Aos trinta e cinco anos, aquela que fora a Bárbara Bela, comparada por um poeta às deusas, era uma infeliz viúva, sem fortuna, de porte alquebrado e olhar melancólico. Sonia Sant’Anna nasceu em Goiás, em 1938, tendo depois morado no Rio de Janeiro, Londres, Belo Horizonte, Brasília e Washington D.C. Aprendeu a ler com a avó, aos cinco anos, tornou‐se leitora compulsiva desde então. Estudou no tradicional Colégio Sion, no Rio e em Londres, e concluiu o curso de Letras na Universidade Católica de Belo Horizonte. Desde a infância, pretendia escrever, mas sua primeira profissão foi a de designer de joias e artesã joalheira. Atualmente, trabalha como tradutora autônoma e revisora. O gosto pela História lhe veio do pai, que lhe contava histórias da História, o que a levou a se interessar por romances do mesmo gênero e, ainda na adolescência, por leituras de obras mais sérias. Sonia também era ouvinte atenta dos casos contados por avós e velhas parentas. Certo dia, pesquisando a história dos bandeirantes, descobriu que uma sua antepassada era descendente direta do bandeirante Amador Bueno. Lembrou‐se, então, de que a avó Dolores lhe dizia que sua própria avó, Maria de Jesus, era neta de uma certa Iria, muito bonita, que fazia versos e tinha uma irmã também bonita e poetisa, e que ambas haviam “participado de uma revolução em Minas”. Só então se deu conta de quem eram essas antepassadas bonitas e de que a tal “revolução em Minas” era a Inconfidência Mineira. Aí estava o tema para um romance: a Inconfidência tal como teria sido vivida pelas irmãs Iria Claudiana e Bárbara Eliodora. Foto da capa de seu filho Fred Pinheiro.