INIMIGOS DA FE: JUDEUS, CONVERSOS E JUDAIZANTES...VII
produto indisponível
OBJETO
DE DESEJO
A conversão forçada dos judeus ao cristianismo e os comportamentos sociais de resistência e dissimulação dos batizados foram - até agora – principalmente, temas relativos à Ibéria da época moderna. No livro de Renata Rozental Sancovsky, originalmente tese de doutoramento defendida junto ao Departamento de História Social da Universidade de São Paulo sob a orientação de Anita Novinsky, estas questões foram levadas para a época visigoda, colocando ali a origem desse legado de perseguição e intolerância.
A partir do século VI, a Península Ibérica Visigoda se vê envolvida na elaboração de um projeto político de unidade religiosa, orientada pela adoção legal, institucional e intelectual do Cristianismo Católico (niceno). Neste momento, a questão judaica tornou-se central para os visigodos e, para assegurar a unidade, os batismos em série, determinados pelo Estado, passaram a ser parte do cotidiano no século VII.
No livro, a autora reinterpreta as raízes medievais do fenômeno converso no mundo ibérico, dando particular ênfase ao anti-semitismo com fundamentos na patrística clássica. Apresenta a historiografia espanhola sobre o tema, estudando a construção do mito do “homo hispanus”, resultante do legado godo. Faz ainda uma extensa análise das fontes canônicas e da legislação visigoda., e identifica os primeiros focos de conversões forçadas nas ilhas Baleares, estudando o pensamento de Severo, bispo da diocese de Menorca (século V). O livro mostra que o mesmo pensamento que legitimou as conversões obrigatórias de judeus defendia também concepções universalizantes de salvação humana, e de supremacia mitológica das monarquias ibéricas e de sua Igreja, no seio da chamada “Cristandade”.
A História Intelectual ibérica demonstra a perpetuação do estigma judaico de povo deicida, reafirmando a necessidade da destruição da cultura judaica pela impossibilidade da convivência judaico-cristã, e a conseqüente necessidade de conversão de todos os judeus. As conversões obrigatórias, longe de resolverem a questão judaica visigoda, construíram um novo sujeito histórico – o converso - visto como versão deteriorada do Judaísmo, e submetido a um novo conjunto de estigmas, que jamais se apagariam do imaginário espanhol, ressurgindo nas ações do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição.
Escapando às engessadas tendências jurídico-políticas, ou religiosas, na interpretação do medievo ibérico, estuda o cotidiano dessas comunidades de conversos tendo como base “juramentos” e “confissões públicas” da documentação visigoda. De maneira original, complementa essas fontes visigodas com as judaicas, especialmente a literatura rabinico-talmudica, apontando sua influência nos valores “marranos” construídos pelos primeiros “batizados em pé” da Península Ibérica.
Leia mais…