produto disponível
De: R$ 39,00
Por:
R$ 34,71
Em até 3x sem juros
Adicionar
à sacola
OBJETO
DE DESEJO
Deter-se ao minúsculo e regatar o mínimo: com poucas palavras dizer o mais prenhe de sentido. A poesia de Ana Maria Vasconcelos transporta uma bolha de significantes essenciais prestes a estourar. Como lembra a própria poeta, a ideia de transporte é o que está na raiz da palavra “metáfora”: “metáfora/ significa transporte/ ir de uma coisa à outra/ através da palavra”.
Longarinas é já o quarto livro de Ana Maria, e se insere já num percurso bem definido que, de um lado, privilegia a forma curta, e, de outro, cria poemas articulados por uma linha bem mais que tênue. Aqui as “linhas são imaginárias”, pois, desde a lição de Sophia de Mello Breyner, o poema “perfeito é não quebrar/ a imaginária linha”. É exatamente no desmembramento das partes articuladas ora em 5 ora 6 ou até 7 micropoemas que se levanta a força formal desse livro. Aliás, é na imagem escolhida para o título — o sistema de vigas de uma construção — que está a estrutura do livro e uma concepção possível para a poesia. Se o formato das longarinas de uma casa, ou ponte, ou passarela, ou qualquer estrutura concreta, lembra a mancha do verso na página, a substância desses versos aponta sobretudo para o inacabamento e para a finitude irreversível: “um texto é um corpo/ que se recusa/ a acabar”.
No sistema de textos que compõe Longarinas, há da ordem de feitiços, mantras, questões ao tarot, mezinhas e orientações de regas de plantas. É a maneira de Vasconcelos lidar com o mundano, tarefa da poesia.
[Fernanda Drummond]
Leia mais…